Comerciantes reclamam das condições do mercado do Bugio

Milton Alves Júnior
 miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

A falta de reforma no mercado municipal Miguel Arraes, instalado no conjunto Bugio, em Aracaju, tem causado desconforto aos comerciantes que trabalham diariamente no local. Há mais de quatro anos sem nenhuma reforma ou reparo nas estruturas, as infiltrações nas paredes e vulnerabilidade do telhado preocupam também os consumidores que apontam o ambiente como a única opção para adquirir alimentos com baixo custo. Atrelada ao abandono estrutural, a insegurança nos arredores do espaço público contribui para que a população una-se ao pleito dos vendedores e exijam mudanças emergenciais. A Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), responsável por administrar o espaço, há mais de um ano já foi informa dos problemas.

Diante da situação, no início do mês passado um grupo de moradores e comerciantes seguiu até a Câmara Municipal de Aracaju (CMA) com o propósito de cobrar apoio dos parlamentares. Nesta visita foi entregue um dossiê onde apontava os pontos críticos, incluindo as centenas de pontos de ferrugem nas estruturas metálicas que podem desabar em pouco tempo, causando assim, um problema maior para a comunidade. Já no final do mês passado, os vereadores Jailton Santana (PSC), Emmanuel Nascimento (PT), Lucas Aribé (PSB) e Lucimara Passos (PCdoB) usaram a tribuna para apoiar a iniciativa dos comerciantes e cobrar da Prefeitura de Aracaju uma limpeza geral e o início imediato das reformas.

Há pouco menos de 30 dias o representante do PSC na câmara municipal atribuiu o progresso do caos as mudança climática que afetou a capital sergipana durante 10 dias e causou destruição em prédios públicos, pontos comerciais e residências. Para Jailton Santana, as fortes chuvas e rajadas de vento interferiam no trabalho que deve ser realizado exclusivamente com verbas municipais e em todos os mercados públicos da cidade. "Sei do empenho da administração municipal, que tem projetos para uma recuperação geral do Mercado Central. Mas o mercado do Bugio também demanda atenção. a preocupação dos comerciantes é com a estrutura precária, principalmente das bases que sustentam a cobertura do mercado", declarou.

Na primeira semana deste mês um documento semelhante ao repassado junto aos vereadores foi entregue à direção da Emsurb. Em anexo, a fim de colaborar com os estudos e proporcionar agilidade na reforma, foram apresentadas medidas paliativas que por ventura pudessem atender temporariamente os anseios dos denunciantes. De acordo com a comerciante Maria do Carmo Barbosa, mesmo com o apoio dos vereadores, nenhum avanço foi registrado até a manhã de ontem. "Às vezes parece que piorou. O lixo aqui vive acumulando e isso acaba prejudicando a gente que precisa de cliente para comprar nossos produtos. Quem quer comprar em um lugar que tem muito lixo, e as paredes e teto podem cair?", indagou a vendedora.

Em virtude das más condições estruturais, os consumidores temem que frutas, hortaliças, carnes, aves e principalmente os pescados sejam contaminados. De acordo com o técnico eletricista Luís Damião de Souza, os balcões de venda e armazenamento destes produtos são velhos e impróprios para este tipo de comércio. Preocupado com a precariedade, ele destaca a importância de uma vistoria por parte do Ministério Público Estadual (MPE) e Vigilância Sanitária. "As mesas são de madeiras velhas e a gente percebe que ali não é ideal para botar as carnes e frutas. Realmente os preços aqui são mais baratos e só por isso ainda tem muita gente que compra mesmo arriscando ficar doente", declarou.

Melhorias – Através de nota oficial, emitida ao Jornal do Dia, a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) informou que já foi aberto o processo de licitação na qual indicará qual empresa deve realizar, em breve, todo o serviço de reforma. Enquanto a seleção profissional não é concluída, análises técnicas são realizadas pela Prefeitura de Aracaju a fim de agilizar o trabalho de revitalização do Mercado Miguel Arraes.

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