Milton Alves Júnior
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Na luta por melhorias na educação pública, dezenas de docentes participaram na manhã de ontem, em Aracaju, de um ato público que lembrou e comemorou a passagem de mais um Dia do Professor. Aglomerados no calçaadão da rua Laranjeiras, Centro, os profissionais aproveitaram o grande fluxo de pedestres para apresentar os problemas enfrentados diariamente em unidades escolares das redes municipal e estadual. Mobilizados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), os manifestantes utilizaram o dia de folga para enfrentar o calor forte e buscar apoio da população. A meta, de acordo com os profissionais, é garantir que direitos trabalhistas sejam cumpridos e escolas qualificadas.
Durante a mobilização da categoria foi reforçado que gestores públicos permanecem sem respeitar o compromisso com a Lei Nacional do Piso Salarial. Em especial no interior do estado, denúncias são oficializadas junto ao Sintese sobre a falta de pagamento referente ao 13º salário, férias, e atrasos constantes de salários. Segundo informações apresentadas pelos professores que participaram do ato, estas situações ocorrem em unidades municipais e estaduais ao longo dos últimos dois anos. Quando o assunto se refere à falta de estrutura adequada para fornecer um ensino de qualidade, é unanimidade a crítica de alguns sergipanos que optaram trabalhar apenas em instituições estatais. As queixas vão das quadras esportivas aos laboratórios de informática.
Insatisfeita com a atual situação, a professora Rita de Cássia Santos avaliou o ato como ‘fundamental’ para que medidas paliativas sejam adotadas pelos governantes. Representante do Sintese no município de Itabaiana, ela garante que a precariedade que está contida em 90% das escolas, é de conhecimento dos prefeitos e deputados, mas pouco, ou nada, é feito. "Recentemente visitei algumas escolas e conferi a realidade não só onde dou aula, mas também em outras. Está cada vez mais complicado ir para a sala de aula e tentar esquecer esses impasses e tentar repassar o maior conteúdo possível para os estudantes. Infelizmente a situação só piora e quem mais perde com isso são os alunos que querem vencer na vida", declarou.
Coordenando o ato, a professora e vice-presidente do Sintese, Ivonete Cruz, enalteceu o Dia do Professor e garantiu que ontem era um dia de comemoração, mas também de reflexão. Para ela, a partir do momento em que o profissional se valoriza e busca melhorias que possam resultar em benefícios para todos, a tendência é que o estado e seus gestores públicos passem a observar as reivindicações como aspectos de coletivo interesse. "Temos hoje primeiramente que comemorar essa data porque somos professores que honramos a nossa profissão, e depois focar nas reivindicações. Estamos na luta por uma escola democrática popular, como também pela valorização dos professores com a garantia dos nossos direitos", afirmou.
Segurança – Outro ponto apresentado nas mobilizações de ontem referiu-se à integridade física dos professores, coordenadores e alunos. Ainda segundo a sindicalista, é preciso que esse assunto passe a ser debatido pelos órgãos de segurança como um tema de amplo significado para a educação pública. Insatisfeita com os ocorridos neste ano de 2014, Ivonete Cruz concluiu dizendo: "É inadmissível que professores sejam alvejados nas costas como aconteceu com o colega em São Cristóvão, escolas continuem sendo saqueadas, vândalos permaneçam destruindo o patrimônio público e nada de concreto seja feito para inibir esses atos. Hoje o dia é de comemoração, mas não tem condições de esquecer dos problemas que nos atinge diariamente".
Compartilhando com as declarações de Ivonete, o professor de matemática Fábio Moreira citou a necessidade de realização de novos concursos públicos. Na opinião do educador, existe uma constante falta de profissionais que devem atuar nos bastidores das coordenações e auxílio de outras atividades escolares. Entre esses déficits estão auxiliares de limpeza, vigilantes, porteiros e auxiliares administrativos. "Muitas vezes o professor acaba fazendo muito mais do que deve assim que entra numa escola da prefeitura ou estado. Estamos comemorando nossa data especial, mas sem esquecer de cobrar melhorias. Espero que os prefeitos e o governador Jackson estejam atentos a esse pedido", declarou.


