Última chance para João Alves Filho

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Menos uma ruína no Centro da cidade. Menos um pecado na conta do prefeito João Alves Filho. A inauguração do Centro Cultural de Aracaju finalmente deu destino adequado ao prédio da antiga Alfândega, na Praça General Valadão, marco zero da capital sergipana. Depois de empurrar os tratores no leito do Rio Sergipe; depois de jogar asfalto sobre as pedras portuguesas da Praça da Bandeira, o negão precisava mesmo dar uma dentro.
É preciso lembrar, por uma questão de justiça, que a obra foi idealizada e orçada ainda durante a gestão do prefeito Edvaldo Nogueira, ambicioso o bastante para anunciar o sonho da completa revitalização do Centro Histórico de Aracaju, uma aposta virtuosa na viabilidade econômica e na memória do lugar. Não teve peito, nem tempo para dar o salto entre intenção e gesto. Mas emprenhou a sensibilidade da gente.

A essa altura do campeonato, no entanto, pouco importa o DNA da ideia. Desde que os mais de R$ 3 milhões ali empregados não redundem apenas em uma fachada bonita e o prédio seja ocupado criativamente, portas abertas para a inquietação dos nossos, restará tudo certo. JAF tem a faca e o queijo nas mãos. Talvez seja a esta sua última oportunidade de reconciliação com os valores de aqui e agora, tristemente negligenciados pelos gestores aboletados na Funcaju em privilégio de uma concepção saudosista, reacionária e retrógrada de cultura. Em termos de popularidade, o prefeito já deve ter reparado, sua administração está longe de rodar no macio.
O aparelho municipal está equipado (biblioteca, teatro, sala de exibição, o diabo a quatro). Basta colocar gente disposta aos rangidos dos dias ali dentro. Eu duvido muito. Mas a dica é de graça.

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