Silveira

Artistas Plásticos (4)

A inteligência aplicada à transparência e simultaneismo de visão, bem definem a modernidade das composições de Silveira, destacando-se o cuidado com que dosa a quantidade de cor ou as inflexões da forma. Isso talvez seja mais importante para o artista do que a qualidade, as luzes que, acrescentadas posteriormente, conduzem para novos ritmos e contramovimentos, rompendo o uníssono dos grandes planos que delineiam o caráter profundo da pintura de Silveira com a  síntese especial que lhe é próprio e bem caracterizada.

A arte de Silveira simboliza, talvez, a reintegração do intelecto no contexto da pura e simples descarga afetiva, o que o libera de maiores compromissos com estilos, sem no entanto sacrificar-lhe a liberdade de realização, a espontaneidade pessoal e a total independência quanto aos dogmas e convenções. É consequência de um universo mental que disciplina o sentimento, a exuberância afetiva, ao mesmo tempo que, através da ordem e do equilíbrio, modela os símbolos particulares do artista.

Hoje, com a experiência dos anos, tendo atingido a maturidade artística, antinua impetuoso, mas já consegue simplificar objetivos e personagens em composições quase abstratas e, ao recorrer às cores primárias e a uma vibrante policromia, chega ao ápice de um extraordinário efeito de luz e movimento. Ele retoma as imagens e os segmentos da cor para celebrar o ritmo dinâmico do Terceiro Milênio, como que a procurar novos rumos entre os labirintos da informática e da cibernética. As perspectivas são amplas, os traços vigorosos em semitons alaranjados. Imagens repousantes, de impacto comovente face ao lirismo captado pela sensibilidade artista plástico-mágico do pincel. E das Cores.        

Geleia geral

… É surpreendente a intensa atuação de Paulinho Vilhena vivendo o artista plástico esquizofrênico Salvador, no folhetim global das nove, "Império". Sem contestação é o melhor trabalho entre os atores que compõem o elenco da novela de Aguinaldo Silva. Isto sem desmerecer as atuações de Alexandre Nero (com aqueles olhões de assustar até criancinha de colo), Leandra Leal e José Mayer. Ailton Graça e Paulo Betti, fazendo caricaturas ridículas de geys, deviam ser transferidos para o "Zorra Total".

… Lu Spninelli vai pendurar as chuteiras. Ou melhor, as sapatilhas. É o que ela está anunciando aos quatro ventos, depois de 43 anos dedicados à dança em regime de tempo integral. Só deu vacilo quando resolveu ocupar um cargo público como diretora do Teatro Tobias Barreto. Felizmente saiu ilesa da inútil empreitada.

… Exposição presta homenagem a Zé Peixe, com telas assinadas por Ismael Pereira, na Sociedade Semear. Nada mais merecido. Só continuo lamentando que ninguém se lembra de homenagear sua irmã Rita Peixe, tão excelente nadadora quanto o Zé. E que nos idos de 1950 encantava a todos pela sua juventude e beleza. Além, é claro de ter rompido com todos os tabus e preconceitos de uma sociedade cruel e por vezes até desumana como a nossa. Vão todos ser atirados na fogueira dos insensatos, no chamado "Dia do Juízo". Ou não?…

Choro, sim, e daí?

(…) até hoje choro na noite de Natal, só que não preciso mais procurar o recolhimento do meu quarto.(…) Um choro silencioso de quem ainda acredita que, se não fossem os dissabores, o estímulo para as tarefas desapareceriam – Vieira Neto, pag.17 do livro de memórias, "Um Garoto Estanciano", primeira edição, esgotada.

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