MULHERES PROTESTAM CONTRA VEREADOR

Milton Alves Junior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Sergipanas foram às ruas de Aracaju na manhã de ontem para protestar contra o polêmico discurso do vereador Agamenon Sobral (PP). Dando sequência à série de desdobramentos acerca da suposta noiva que teria tentado se casar sem calcinha, esta semana a novela da vida real apresentou um novo capítulo após os parlamentares envolvidos terem recebido punição por parte do Conselho de Ética da Câmara de Vereadores (CMA). Em defesa da vereadora Lucimara Passos (PCdoB), três grupos feministas se dividiram e promoveram atos em vários pontos da capital. Em frente à casa legislativa, no centro da cidade, os manifestantes exigiam pedidos de desculpa por parte de Agamenon e retirada do ‘cartão amarelo’ para a comunista.
Já nas intermediações do Viaduto Manoel Celestino Chagas – viaduto do Detran, uma faixa foi estendida em uma das passarelas a fim de pressionar os órgãos estaduais e federais a atuar mais rigorosamente no combate à violência contra as mulheres. Com os dizeres ‘Basta de violência contra a mulher’ os manifestantes exigem a saída imediata de Agamenon das respectivas funções públicas. O assunto passou a ter repercussão nacional após o vereador ter declarado em sessão plenária que a noiva é ‘vagabunda’, deveria ‘levar uma surra’ e ‘tomar banho de sal grosso’ por ter, segundo ele, desrespeitado a conduta ética e moral da igreja Católica. Lucimara revidou com outro discurso áspero e assim geraram as manifestações.
Sentindo-se ofendida com o pronunciamento do vereador, a estudante universitária Janaína Lucena disse ter se interessado para participar do movimento contra as agressões às mulheres, e que o progressista necessita voltar ao púlpito da CMA para se desculpar com Lucimara Passos e todas as mulheres. "Não poderia de forma alguma me ausentar de uma mobilização tão importante como essa. Estamos passando por um momento crucial no qual as mulheres passaram a conquistar espaços excepcionais. Aceitar uma afronta como esse é esquecer os princípios básicos do respeito ao ser humano. Estou com Lucimara e também quero ver esse vereador me chamar de vagabunda", disse.
Apesar de ser falsa a informação quanto ao enlace matrimonial que teria sido suspenso por um padre ao perceber que a noiva estava sem calcinha, os críticos à postura do vereador minimizaram a veracidade da notícia. Este episódio foi veiculado em alguns sites em meados do ano de 2011. Em posse de um texto que foi inclusive declarado por site de notícias como ‘trote’, ou ‘fake’, o parlamentar não redobrou os cuidados antes de se pronunciar sobre o assunto. Horas após o insulto violento, ao menos verbal, Agamenon voltou a dizer que a informação é verdadeira, mas muitos preferem esconder a verdade e continuar o criticando por defender as causas que geram rodas de embates.
Para a comerciante Julenice dos Santos, a desculpa do vereador teria sido mais uma tentativa de minimizar as problemáticas palavras que adjetivou as mulheres que, por questão de conforto ou mesmo opção, preferem não usar os trajes íntimos, seja ela qual for a circunstância. "Quem foi que disse que não usar a calcinha é símbolo de desrespeito ao santíssimo? Quer dizer então que a noiva foi ao altar pensando em transar lá? Não votei em Lucimara, mas apoio a medida dela. É preciso que o vereador reveja os seus conceitos porque mostra que não está preparado para esse trabalho municipal. Ele errou e muito ao pegar uma notícia mentirosa e transformar nessa bagunça toda", afirmou.
Durante os atos públicos realizados na manhã de ontem não houve registro de conflito entre manifestantes e agentes de segurança. Toda a ação foi vistoriada por profissionais da Guarda Municipal de Aracaju e Polícia Militar do Estado de Sergipe.

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