Após morte de colega, funcionários da Coca-Cola cobram segurança no trabalho

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Funcionários da Coca-Cola interromperam no dia de ontem todas as atividades como forma de protesto pelo assassinato do servidor Edvan José Cardoso da Silva, 31 anos, que foi brutalmente atingido por disparos de arma de fogo na última segunda-feira quando se preparava para realizar despacho de mercadoria em um estabelecimento comercial instalado no conjunto Almirante Tamandaré. Diante da greve deflagrada no início do dia, todos os pontos revendedores do produto ficaram sem o devido reabastecimento. O registro foi notificado por empresários que atuam na Grande Aracaju que aguardavam a entrega dos refrigerantes programada para ontem.
Durante o sepultamento realizado no período da tarde, amigos e familiares da vítima enalteceram o alto índice de violência que diariamente preocupa os servidores da empresa. Hoje, quinta-feira, 04 de dezembro, Edvan José Cardoso completaria 32 anos e estava agendada uma série de comemorações pela idade nova. De acordo com Lucicleide Cardoso, irmã da vítima, a empresa tem contribuído com todas as necessidades fúnebres.
Além de justiça rigorosa a todos os elementos envolvidos no assassinato, a família exige melhorias funcionais para os trabalhadores que continuam prestando serviços para a Coca. "Eles chegaram a nos mandar uma coroa de flores e disseram que iriam ajudar a arcar com os gastos que tivemos, mas infelizmente nenhum dinheiro, nem mesmo o valor da Coca-Cola toda pode trazer de volta o meu irmãozinho que estava trabalhando, fazendo o que tanto gostava. Queremos justiça e que o gerente volte a oferecer proteção pra todo mundo", disse.
Questionada sobre possíveis queixas apresentadas por Edvan, Lucicleide declarou que ao longo dos últimos anos benefícios estão sendo cortados de forma gradativa. Entre esses cortes estariam os investimentos com batedores armados que garantiam o trabalho de todos os entregadores e mercadorias.
"Desde o mês passado ele me dizia que sem a escota dos seguranças o risco de roubo de carga e assaltos a mão armada estava crescendo cada vez mais. Ele sabia que uma hora ou outra esse tipo de situação poderia acontecer aqui em Aracaju, mas a gente, mesmo com medo, achava que poderia ser coisa da cabeça dele ou que não iria atingir a nossa família. A dor que estamos sentindo não desejo pra ninguém", lamentou a irmã. Paralelo ao pedido de maior segurança, os grevistas exigem também o reajuste no valor do Vale Refeição e a criação de um sindicato específico para a categoria que auxiliará todos os profissionais para adotar as medidas legais quando forem à luta por benefícios coletivos.
Segundo o vendedor Edson Gonçalves, apontado como um dos funcionários da Coca-Cola em Sergipe para falar sobre o assunto, permanecer trabalhando com a atual conjuntura está cada vez mais difícil. Para ele, é preciso que os administradores busquem atender o pleito dos profissionais de rua para evitar novas paralisações. "Estamos de braços cruzados por apenas um dia para mostrar que desejamos melhorias principalmente no quesito segurança. Foi cortada a escolta e agora estamos ainda mais inseguros porque andamos com boleto e dinheiro, o que atrai os marginais", afirmou.

Paralisação – Conforme desejo dos trabalhadores, é preciso que os gestores da empresa viabilizem os pleitos apresentados a fim de evitar qualquer possibilidade de nova greve. Caso o pedido não seja debatido em um prazo de dez dias uma greve por tempo indeterminado pode ser deflagrada. "Queremos ser ouvidos e ter a certeza que estamos trabalhando com o mínimo de segurança. Não podemos esquecer a morte trágica do nosso colega Edvan, muito menos aceitar que outros sejam assassinados", pontuou Edson.

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