Estudantes da rede estadual podem ficar sem assistir aulas no turno da noite já a partir do próximo ano letivo, em Sergipe. Conforme orientação da Secretaria de Estado da Educação Pública (Seed), o baixo número de alunos em busca de matrículas noturnas tem contribuído para que a alta cúpula educacional viabilize mudanças que, ao contrário do que era esperado, vêm desagradando a centenas de pais e estudantes. Na manhã de ontem, insatisfeitos com a promessa de exclusão das turmas, alunos da Escola Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici, localizada no conjunto Médici, bairro Luzia, em Aracaju, realizaram um protesto pacífico a fim de cobrar do governador Jackson Barreto que a medida não seja aprovada pelo poder executivo.
Na noite da última segunda-feira os estudantes que atualmente assistem as aulas noturnas também se mobilizaram com o propósito de pressionar a direção geral da unidade escolar, a secretária de Educação, Hortência Pereira Araújo, e o governador Jackson Barreto. Aos alunos, foi garantido que não haverá perdas e contratempos em virtude de todos os atuais estudantes serem remanejados para escolas que ficam instalas nas proximidades das que serão desativadas. A meta é reunir todos os alunos de várias escolas que registram poucas matrículas nesse turno em uma só instituição. Até o momento não se tem informação de quantas escolas adotaram esse tipo de medida.
De acordo com o grêmio estudantil, paralelo à falta de ‘quórum’ por parte dos alunos, a constante falta de iluminação, e de segurança que geram em constantes assaltos aos arredores, motivaram a irreal da escola em propor essa determinação aos administradores da Seed. Para o representante do grêmio, Luís Fernando, é preciso que melhorias imediatas sejam adotadas antes que o número de aracajuanos matriculados em escolas seja cada vez menor. "Aqui falta tudo, inclusive segurança. Depois que sair dados apontando grande evasão escolar não vão saber o motivo. Acabar com o turno da noite é um erro grotesco e desrespeito aqueles que só tem esse horário para estudar", afirmou.
Questionado sobre as mobilizações realizadas pelos estudantes, o jovem informou que, caso seja necessário, o grêmio estará à disposição dos alunos para articular outros atos públicos. Luís Fernando acredita que as mudanças já anunciadas podem ser revertidas em busca de melhores opções para a comunidade estudantil. "Se tem alguma coisa que não nos agrada, o jeito é ir para a rua e brigar pelos nossos direitos. Se os estudantes observam que essa medida idealizada pelo diretor da escola pode nos prejudicar, nós vamos sim nos unir aos estudantes e reivindicar uma intercessão ate por parte do governador Jackson se for preciso. Estamos unidos e assim continuaremos", pontuou.
Conforme informações apresentadas pela direção da escola, que preferiu não conceder entrevistas no momento, ao menos duas vezes por semana os professores e demais funcionários ficam sem ministrar aulas em decorrência da falta de alunos. Com essa medida, a perspectiva é que estes profissionais sejam remanejados para escolas que apresentam déficit de docentes. Ao todo, 30 alunos estudam no Presidente Emílio Garrastazu Médici todas as noites. "O número realmente é pequeno, mas é preciso debater que esses 30, nem todos têm condições de estudar em outra escola, por mais próximo que seja. A direção sequer reuniu o grupo para debater alternativas. Simplesmente decidiram acabar com as aulas e pronto", disse a aluna Fabiana dos Santos.
Atendendo ao pleito dos estudantes, a Secretaria de Educação informou que ainda essa semana pretende debater as mudanças junto aos coordenadores da escola e representantes dos alunos. Um anúncio oficial do que ficará decidido será feito minutos após o diálogo.


