Gabriel Damásio
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O radialista Iran Machado Correia, 56 anos, foi assassinado às 9h de ontem na porta de sua residência, no conjunto Francisco Teles de Mendonça, Bairro São Cristóvão, periferia de Itabaiana (Agreste). Ele chegava em casa e estava abrindo a garagem quando, segundo informações da polícia, dois motoqueiros armados que o seguiam dispararam cerca de 10 tiros contra sua cabeça, matando-o na hora. A motivação ainda é desconhecida, mas a polícia já tem certeza de que se trata de uma execução encomendada.
Os criminosos fugiram rapidamente do local, mas chegaram a ser vistos por uma vizinha que estava na porta de casa e entrou logo em seguida, ao ser ameaçada. A Polícia Militar chegou rápido ao local e chegou a fazer algumas buscas, mas nenhum suspeito foi encontrado. Uma equipe permaneceu no local fazendo o isolamento do local do crime até a chegada dos peritos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico-Legal (IML). Constatou-se que nenhum objeto pessoal ou dinheiro foi levado do radialista. O corpo foi recolhido por volta de 12h30 e liberado à tarde para o velório, na casa da família, em Cumbe (Agreste). O sepultamento acontecerá às 9h de hoje em Nossa Senhora das Dores (Sertão).
O presidente do Sindicato dos Radialistas de Sergipe, Fernando Cabral, descartou qualquer possibilidade de que o crime teria ligação com o exercício da profissão, pois, segundo ele, não havia qualquer histórico de rixas, brigas ou ameaças contra a vítima. "O Iran era tido em Itabaiana como uma pessoa pacata, não existe aparentemente nenhuma possibilidade de ameaça de morte", disse ele. O sindicalista esteve ontem na Secretaria da Segurança Pública (SSP), onde pediu prioridade na resolução do crime, e foi informado de que as investigações já começaram, comandadas pelo delegado Allan de Freitas Faustino, da Delegacia Regional de Itabaiana.
Cabral lembrou ainda que mais de 20 radialistas já foram assassinados em todo o país nos últimos dois anos, principalmente em estados da região Norte. "É uma profissão de risco. Muitas vezes, o comunicador coloca sua posição no ar, as pessoas não gostam ou discordam, e elas tentam eliminar esse comentário matando o radialista. Isso é muito triste e estamos preocupados com essa situação", afirmou o presidente do sindicato.
Iran estava em seu terceiro casamento e era pai de cinco filhos. Tinha mais de 35 anos de carreira e sempre atuou como repórter e operador em equipes de esportes de rádios do interior do estado. Atualmente, ele fazia um programa na rádio comunitária São Domingos FM e colaborava com as transmissões da Rádio Jornal. Entre os colegas, ele era conhecido como uma pessoa extrovertida e muito alegre. "Eu trabalhei um tempo com ele em Itabaiana e sempre nos encontrávamos nas transmissões lá do estádio Presidente Médici. Era um cara muito brincalhão, muito alegre e tinha histórias muito engraçadas. Nem acredito que isso aconteceu com ele", lamentou, chocado, o também radialista Antônio Oliveira.
Foram justamente essas brincadeiras e o estilo bem humorado que o tornaram querido pelos ouvintes e conhecido como "O Repórter Mito". Em uma das transmissões, ele entrevistava os jogadores do São Domingos Futebol Clube que estavam sendo picados por um enxame de abelhas no gramado de um estádio do interior. Iran também foi picado e descreveu tudo isso no ar. Em outro, chegou a transmitir um jogo sozinho, substituindo o narrador, o comentarista e o operador que faltaram à jornada. E em outro, ele teria dito um palavrão ao vivo, durante uma discussão ferrenha com os colegas de equipe sobre um impedimento duvidoso marcado pela arbitragem.
Cerca de 10 profissionais de rádio foram assassinados em Sergipe nos últimos 15 anos. O último caso registrado foi em 29 de outubro de 2012, quando o locutor Edmilson Santos de Jesus, conhecido como "Edmilson dos Cachinhos", foi morto a tiros dentro do estúdio da rádio Princesa FM, em Itabaiana, onde apresentava um programa musical. Um suspeito do crime chegou a ser preso com o celular da vítima, mas, em julgamento ocorrido em 29 de abril deste ano, foi absolvido por quatro votos a três, pois os jurados alegaram falta de provas mais concretas.


