Japaratuba: II Jornada de Estudos reúne especialistas e moradores

Ocorreu ontem, 6, na cidade de Japaratuba, localizada no Leste Sergipano, a II Jornada Nacional de Estudos Arthur Bispo do Rosario, cujo tema central foi "Feira: Encontro de Saberes e Sabores". Incluso na programação cultural da Festa de Santos Reis e São Benedito, o simpósio reuniu, na Igreja Matriz do município, especialistas em cultura popular e amantes das artes – residentes na cidade e em regiões circunvizinhas -, para debaterem sobre a vida do maior artista japaratubense, consagrado por transformar objetos comuns em verdadeiras obras de arte.
O evento foi iniciado às 9h, com um café cultural, seguido de apresentações de grupos folclóricos e da composição da mesa. Representando o prefeito de Japaratuba, Hélio Sobral Leite, o secretário de Cultura, Robson Rodrigues, deu boas-vindas aos participantes, ressaltando a importância do encontro. "É um momento que nos proporciona conhecer e compreender a história de Bispo do Rosario, um homem que era visto por muitos como louco e que era incompreendido por viver num mundo paralelo", destacou o secretário, continuando.

"A segunda Jornada de Estudos é uma oportunidade àqueles que ainda não conhecem a trajetória deste japaratubense, de apreciarem e reconhecerem a cultura desta cidade, em suas obras. Preparamos o simpósio com muito esforço para que moradores da cidade e visitantes tivessem este momento de estudo dentro do festival. E é com muita satisfação que, em nome do prefeito, Hélio Sobral, os recebo para este dia de aprofundamento dos saberes", afirmou Robson.
Na sequência, o presidente da Câmara de Vereadores, Luciano Acciole, bastante envolvido com os movimentos culturais de Japaratuba, ressaltou que a Jornada de Estudos é a prova do amadurecimento do Festival de Artes Arthur Bispo do Rosario. "Este encontro veio para dar, à nossa celebração cultural, características de estudo e pesquisa. O intuito é aproveitarmos a oportunidade para aprofundar os conhecimentos e discutir propostas", salientou.

Luciano frisou também que, o evento possibilita à construção de um elo entre cultura e educação. "Essa é uma das propostas. E se não conseguirmos construir essa ponte, não vamos chegar a lugar nenhum. Estamos aqui, tendo a oportunidade de aprender com especialistas, como a diretora do Museu de Arte Contemporânea Arthur Bispo do Rosario, localizado no Rio de Janeiro, Raquel Fernandes, e é preciso aproveitar este momento. É o começo de uma caminhada que não deixa a gente se perder dentro da nossa cultura", finalizou.
 
Palestras – Logo após, a diretora do Museu de Arte Contemporânea Arthur Bispo do Rosario, localizado no Rio de Janeiro, Maria Raquel Pardo Lucas Fernandes, deu início aos trabalhos, agradecendo, primeiramente, pelo convite. "Temos muito interesse nessa aproximação, que nos permite pensar à possibilidade de conhecer a origem e as influências que marcaram Bispo, ainda na infância, com elementos que se destacam em suas obras", celebrou, prosseguindo.
"É curioso falar deste artista justamente na igreja, uma vez que sua história é marcada pela religiosidade. Inclusive porque boa parte de suas peças não só retratavam isso, mas faziam menção à Sergipe e à Missão Japaratuba. Não temos muitas notícias sobre sua infância, mas gostaríamos de aproveitar essa oportunidade não só para repassar as informações que temos, mas para descobrir dados ainda desconhecidos, que formaram a essência de Bispo, sua vida e obra", observou Raquel, iniciando a primeira palestra do dia.

Ainda pela manhã, a professora, mestra e Secretária de Cultura de Aracaju, Aglaé Fontes, ministrou uma palestra sobre "Espaços e Tempos de Rituais", com a participação da professora da Escola de Comunicação de São Paulo, Dilma de Melo. Já à tarde, a partir das 14h, mais dois espaços de diálogos foram abertos aos participantes, nos quais foram tratados dois subtemas: "Memórias" e "Saberes Tradicionais e Contemporâneos". Ao final, houve apresentação de trabalhos, por parte de alguns professores inscritos.

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