Limpeza total da cidade só será concluída no meio da semana

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Agentes de limpeza urbana deram início na manhã de ontem a operação ‘Cidade Limpa’, que visa higienizar a capital sergipana após três dias de greve. Por mais de 72 horas cerca de 1200 trabalhadores entre garis e margaridas cruzaram os braços em busca de 15% de reajuste salarial, aumento de ticket alimentação e maior assistência médica pelo plano de saúde. Além dos aracajuanos, os moradores dos municípios de Laranjeiras e Nossa Senhora do Socorro também se depararam com um acúmulo avassalador de lixo nas ruas e avenidas enquanto os grevistas reivindicavam mesas de negociação junto ao setor patronal. Conforme contabilidade da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), aproximadamente 300 toneladas de lixo ficaram sem ser recolhidas durante o movimento grevista.

Com equipe ampliada, a Torre, principal empresa responsável por coordenar a coleta de lixo na capital, pretende fortalecer a operação a fim de já registrar baixa na demanda de serviços nesta segunda e terça-feira. Concluídos os impasses com a categoria que se arrastavam desde o primeiro semestre de 2005, por determinações da Prefeitura de Aracaju as demais cinco empresas que também possuem contratos públicos para realizar a urbanização da cidade atuam em bairros mais afastados do centro comercial. De acordo com o diretor operacional da Emsurb, Humberto Santana, o reinício imediato das coletas foi um dos acordos articulados na reunião realizada na tarde da última sexta-feira, 09. Segundo o gestor, 100% do efetivo profissional e caminhões de coleta já estão nas ruas, atuando, inclusive, nas madrugadas.

Participaram do encontro representantes do Sindicato dos Empregados da Limpeza Pública e Comercial do Estado de Sergipe (Sindelimp), Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), e Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação (Seac). "Alguns moradores dos bairros mais próximos do Centro da cidade perceberam que o lixo deixado nas portas foi coletado tarde da noite, e até na madrugada. Os pleitos da categoria foram atendidos depois de longa negociação, e já às 18h de sexta tinha caminhão deixando a garagem para cumprir com o que foi definido. Centenas de toneladas de lixo ficaram espalhadas pelas cidades, mas em Aracaju a normalidade volta a ser constatada pela população", disse Humberto.

Durante a mobilização dos garis e margaridas, apenas 30% dos trabalhadores, conforme exige a legislação brasileira, permanecia nas ruas tentando minimizar os impactos da greve geral. Ainda de acordo com o gestor municipal, esse número era considerado muito baixo para tentar amenizar os problemas que se multiplicavam a cada minuto de greve. Horas antes de o acordo ser firmado, a Emsurb já havia iniciado um plano B, que resumia em força tarefa por bairros. O primeiro ponto de serviço foi os arredores dos mercados centrais e os calçadões das ruas João Pessoa, São Cristóvão e Laranjeiras. Diante da continua produção de resíduos domésticos e de estabelecimentos comerciais, a tendência é que todo o serviço esteja normalizado entre quarta e quinta-feira, 15.
"Estamos afirmando que a demanda da greve será minimizado até amanhã, segunda, ou no máximo na terça. Já a demanda diária junto com as pendências da greve serão atendidas em curto prazo, até quinta a cidade estará devidamente limpa, assim como tem sido nos últimos dois anos. A Emsurb permanece disposta a atender a população e debater melhorias do sistema junto ao Sindelimp todas as vezes que forem necessárias", pontuou o diretor Humberto Santana.

Compartilhe esta notícia