Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br
Há quase dois anos após ser lançado, o projeto da primeira etapa do Canal Xingó, considerada uma das obras mais importantes para o Alto Sertão, deve ficar pronto em abril deste ano. O canal, que terá extensão superior a 305 quilômetro, vai contemplar a população de sete municípios de Sergipe e Bahia.
A implantação do Canal Xingó será financiada com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2) através do Regime Diferenciado de Contratação (RDC).
A primeira etapa da obra terá extensão de 130 quilômetros, compreendendo o trecho que vai desde a captação no reservatório da Hidrelétrica de Paulo Afonso IV, ATÉ Poço Redondo, nas proximidades do perímetro irrigado Jacaré-Curituba.
Através da obra, o governo federal pretende aumentar a oferta de água na região para usos múltiplos a exemplo de empreendimentos agrícolas e consumo humano. O sistema adutor vai percorrer os municípios de Paulo Afonso e Santa Brígida, na Bahia. No território sergipano, as cidades contempladas com a obra serão Canindé do São Francisco, Poço Redondo, Porto da Folha, Monte Alegre e Nossa Senhora da Glória.
A partir da construção do canal, o governo pretende reduzir os custos com energia elétrica, ofertando água a projetos de irrigação como os perímetros Jacaré-Curituba, administrado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), responsável pela execução da obra.
O canal também atenderá o projeto de irrigação Califórnia, administrado pelo governo de Sergipe. Em entrevista ao Jornal do Dia, o superintendente regional da Codevasf, Said Schoucair, fala sobre as obras do Canal Xingó e outras ações da empresa a exemplo do Programa Mais Irrigação, implantação do sistema de gerenciamento de resíduos sólidos do Baixo São Francisco, o Programa Água para Todos e o andamento da reforma do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura do Betume.
Segue a entrevista:
Jornal do Dia – Há quase dois anos, houve o lançamento do edital para a elaboração do anteprojeto da primeira etapa do Canal do Xingó. A obra é um desafio de milhares de pessoas que convivem com a seca no Alto Sertão. Qual a previsão do início das obras e como está o andamento da concretização desta ação?
Said Schoucair -As obras serão licitadas apenas quando for concluído o anteprojeto da primeira etapa do Canal do Xingó, que vai de Paulo Afonso, na Bahia, até Poço Redondo, em Sergipe. O prazo para esse projeto ser entregue pela empresa contratada é em abril de 2015. O anteprojeto vai indicar necessidades de mudança no traçado previsto do canal e o posicionamento das tomadas de água, além de outras informações técnicas. A Codevasf está investindo R$ 6,8 milhões nesse projeto e a obra será executada em regime diferenciado de contratação, o RDC, o que deve agilizar a execução das obras no futuro.
O Canal do Xingó é uma obra fundamental para o Alto Sertão e que vai resultar em novas perspectivas para a população dos municípios de Canindé de São Francisco, Poço Redondo, Porto da Folha, Monte Alegre e Nossa Senhora da Glória, além de Paulo Afonso e Santa Brígida, na Bahia. É um grande projeto, avaliado em mais de R$ 2 bilhões, que vai permitir o desenvolvimento daquela região, com o fornecimento de água para a agricultura, a pecuária e para indústrias que venham a ser criadas. Sem contar que vai solucionar um problema histórico, que é justamente a falta de água em cidades que sempre sofreram com a seca.
Jornal do Dia – O Programa Mais Irrigação destinou R$ 102 milhões para os perímetros irrigados Propriá, Cotinguiba/Pindoba e Betume. Quais são os resultados da Codevasf já alcançados na região?
Said Schoucair – Antes, é preciso esclarecer que esses recursos foram contingenciados pelo Governo Federal e estão sendo liberados aos poucos, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias, mas estamos trabalhando para executar esses investimentos com o máximo de agilidade e eficiência. Em 2014, contratamos os serviços mais importantes e, por isso, os mais aguardados pelos produtores. Hoje, estão em andamento obras como a reabilitação de 57 quilômetros de canais de irrigação, que representa um investimento de mais de R$ 26 milhões, a pavimentação de estradas internas dos perímetros, um investimento de quase R$ 14 milhões, e a reabilitação de 51 conjuntos de eletrobombas, em que vão ser investidos cerca de R$ 2 milhões. Também foram entregues máquinas para operação e manutenção dos perímetros, como retroescavadeiras e caçambas. E hoje temos também um diálogo aberto com os distritos de irrigação, de forma que a gente possa resolver da melhor maneira possível as dificuldades e os problemas do dia-a-dia. É importante que eles saibam que a Codevasf foi criada para atendê-los e, por isso, estamos sempre à disposição para discutir os investimentos e realizar ações para o crescimento da rizicultura e de outras atividades.
Jornal do Dia – Na área de revitalização, quais são os investimentos em sistemas de abastecimento de água e redes de esgoto sanitário incluindo a coleta e tratamento de resíduos sólidos nos 11 municípios contemplados com a elaboração de projetos da Codevasf?
Said Schoucair -Em 2014, a Codevasf contratou uma empresa para elaborar os projetos de engenharia para implantação do sistema de gerenciamento de resíduos sólidos do Baixo São Francisco. Essa é uma ação importante, que vai propiciar o fim dos lixões de 11 municípios e a implantação de aterros sanitários de pequeno porte e unidades de coleta e tratamento que atendam a toda a região. Os projetos devem ser finalizados no segundo semestre de 2015.
Além disso, iniciamos as obras de implantação de esgotamento sanitário em três municípios. Brejo Grande, Ilha das Flores e Itabi. Também foram contratadas as obras de Pacatuba e São Francisco, que devem ser iniciadas no primeiro semestre de 2015, ambas em parceria com a Deso, assim como as obras de Itabi. Todas as obras são realizadas com recursos do PAC e vão proporcionar que o rio São Francisco tenha uma água de maior qualidade nessas cidades. Ao todo, são mais de R$ 28 milhões em investimentos para esses cinco municípios.
Também concluímos obras de abastecimento de água em cinco municípios: Canindé de São Francisco, Poço Redondo, Amparo de São Francisco, Gararu e Neópolis. Os sistemas foram entregues para serem operados pela Deso, uma vez que a Codevasf não pode operar esses sistemas, que beneficiam comunidades rurais isoladas.
Temos avanços importantes nessa área, incluindo a aquisição de áreas de preservação da caatinga para ampliar a Grota do Angico e as parcerias firmadas com outros órgãos públicos para preservar nascentes e recompor matas ciliares.
Jornal do Dia – O Programa Água para Todos tem o objetivo de ampliar a oferta de água através da instalação de cisternas, fornecimento de reservatórios e a implantação de barreiros. Quais são as metas alcançadas pela Codevasf?
Said Schoucair- Fechamos o ano de 2014 com 4.171 cisternas do programa Água Para Todos instaladas em Sergipe, e nesse início de ano já estão sendo instaladas mais cisternas. A meta é chegar a mais de 4.400 em breve. Essa ação mudou a realidade das famílias atendidas, que antes precisavam buscar água em localidades distantes ou depender de carro-pipa. Hoje, são mais de 20 mil pessoas beneficiadas tendo acesso a água de qualidade. E no final do ano passado contratamos a elaboração de projetos executivos para a construção de 210 barreiros. Quando os projetos estiverem prontos, vamos dar início à licitação. Os barreiros vão beneficiar mais de 5.200 famílias e vão acumular água para matar a sede dos rebanhos de diversas comunidades rurais.
Jornal do Dia – Como está o andamento da reforma do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura do Betume, que foi criado para ampliar o apoio a piscicultura em Sergipe?
Said Schoucair – A reforma da unidade está em fase final, faltando apenas ajustes na parte elétrica. Mas as reformas nos tanques e na área de produção, que são mais complexas, provavelmente só devem ser concluídas no segundo semestre. Até lá, o Centro Integrado de Betume seguirá recebendo apoio da unidade de piscicultura que a Codevasf mantém em Alagoas para a manutenção de nossas ações em Sergipe. A unidade tem projetos importantes em andamento hoje, como o acompanhamento dos técnicos angolanos que foram capacitados em Sergipe e hoje colocam em prática em seu país o que aprenderam com a Codevasf. Temos também um projeto de extensão da Universidade Federal de Sergipe para desenvolver a aquicultura familiar no Baixo São Francisco, que será iniciado este ano com apoio de técnicos do Centro Integrado de Betume, com financiamento do Ministério da Educação.


