Chuvas fortes atingem todo o Estado

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Casas alagadas, árvores ao chão, córregos transbordados e muitos pontos de alagamento por toda a Grande Aracaju. No início da madrugada de ontem a tão anunciada frente fria carregada de fortes chuvas e rajadas de vento chegou ao litoral da capital e contribuiu para que inúmeros danos fossem registrados nas primeiras três horas de tempestade. Equipes do Corpo de Bombeiros Militar e Defesa Civil se mobilizaram para atender a moradores que residem em áreas extremas onde o piso ficou vulnerável e corre o risco de desabamento. Em vários bairros de Aracaju, a exemplo do Siqueira Campos, Mosqueiro e Augusto Franco, o sistema de fornecimento de energia registrou queda após problemas nas centrais de distribuição.
Já na região do Santos Dumont a situação era ainda mais preocupante. Com problemas no serviço de drenagem e escoamento das águas, ruas ficaram inundadas, carros semi-encobertos pela água da chuva e dezenas de estabelecimentos comerciais contabilizaram quase 50% de prejuízos. Os problemas não pararam por aí nas intermediações do bairro. Por registrar problemas mecânicos, carros e motos ficaram à deriva e contribuíram para transformar o trânsito que já era complicado, em caótico. Semáforos apresentaram defeito em diversos pontos de Aracaju e contribuíram para atrapalhar o fluxo de veículos. Acompanhada de trovões e relâmpagos, a chuva permaneceu forte durante toda a manhã e tarde de ontem e só ajudou a ampliar ainda mais os danos urbanos.
Proprietária de uma loja de móveis na avenida Euclides Figueiredo, a micro-empresária Rosejane Santos lamentou a precariedade do sistema de esgotamento. Segundo a comerciante, basta chover meia hora na localidade que as águas começam a invadir as casas e lojas e resultar em prejuízos. "Vocês imaginem em temporais como esses dessa madrugada. Perdi quase tudo aqui mais uma vez. Infelizmente somos obrigados a viver nesse clima de preocupação durante todo o ano já que o sistema aqui na avenida é muito falho. Quando percebi a chuva começando a ficar forte já imaginava nesses transtornos e corri para cá na esperança de salvar alguns produtos", lamentou.
Esse não foi o único registro de complicações na área. 500 metros à frente de dona Rosejane, o mecânico Edjair Azevedo Bispo mostrou-se irritado com a situação. Nas primeiras horas da manhã de ontem, ao abrir o galpão, o trabalhador se deparou com peças de carro boiando por toda a área. Visivelmente abalado, Edjair fez uma rápida avaliação da ocorrência e declarou R$ 4 mil de prejuízo. De acordo com ele, esse calculo pode ser maior. "Essa foi a segunda vez que isso me acontece. A primeira foi em novembro de 2013 quando a avenida ficou alagada também depois de uma tempestade de verão. Nessa rápida avaliação aqui já digo que terei quatro mil de perda, mas esse prejuízo deve ser maior, infelizmente a cena de destruição se repetiu", afirmou.
Para os órgãos de segurança que atuam em escala de plantão redobrado neste final de semana, o receio coletivo é que a frente fria na qual permanece causando danos na capital baiana possa se deslocar até o litoral sergipano e gerar novos problemas para a população. Até a manhã de ontem mais de 600 pontos eram considerados de risco e seis mil famílias estavam desalojadas em Salvador. Visivelmente preocupado com a ocorrência, o coronel Reginaldo Moura, coordenador da Defesa Civil Estadual, alerta a população sergipana a redobrar os cuidados e evitar transitar em locais considerados de risco. Consciente quanto a delicadeza do momento, o especialista destaca a necessidade de acionar o plantão de atendimento em casos de acidentes.
"É preciso ficar atento a todas as circunstâncias e entrar em contato com a nossa central através do Ciosp até para tirar dúvidas de como evitar ações que possam gerar problemas para a própria integridade física. Estamos acompanhando a passagem desse período turbulento na meteorologia e dispostos a ajudar a todos os sergipanos que por ventura necessitem de auxílio", disse. Paralelo ao trabalho da Defesa Civil Estadual e Corpo de Bombeiros, agentes da Polícia Militar, Defesa Civil Municipal, Superintendência Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT), e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), também agregam o trabalho de prevenção e resgate de vítimas. "Nosso trabalho é unificado e resultará mais uma vez em dados positivos", definiu Reginaldo Moura.

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