Carne vendida em feira livre tem risco de contaminação

Sem possuir balcão frigorífico ou caixas térmicas com gelo, muitos feirantes que revendem carnes e frangos em feiras livres de Aracaju permanecem desrespeitando as normas básicas de higienização alimentar exigidas pela Vigilância Sanitária. Na manhã de ontem, durante uma feira realizada no Conjunto Médici, os consumidores flagraram centenas de quilos de carne armazenados sob bancas enferrujadas e ‘protegidas’ apenas com uma leve cobertura de plástico. Cientes da irregularidade que pode gerar graves problemas de saúde para os clientes, os vendedores alegam dificuldades para adquirir um freezer coletivo que serviria como depósito paliativo, e culpa a Prefeitura de Aracaju por ter cessado o empréstimo de frigoríficos portáteis que eram disponibilizados todas as sextas-feiras.

Apesar de a população apenas ter denunciado agora esta problemática, os comerciantes alegam que a situação precária já se arrasta desde a primeira quinzena de março, quando um contrato foi suspenso entre a administração municipal e a empresa terceirizada que fornecia os equipamentos de baixa temperatura.
Para os moradores que encontram na feira economia de tempo e comodidade, a desordem pública serve como gancho para possíveis intervenções por parte dos órgãos sanitários de fiscalização. Visivelmente incomodado com a situação, o aposentado Edson Rollemberg disse ter deixado de comprar alguns alimentos na feira. "Isso aconteceu depois que estive aqui e me deparei com as carnes sem nenhuma proteção contra as moscas. O pior disso tudo é que a situação que já era ruim conseguiu piorar. Vocês podem perceber que quando os feirantes vão embora deixam essa lixarada toda e a limpeza demora pra acontecer. É preciso que a Vigilância Sanitária esteja atenta a isso", denunciou.

Na tentativa de minimizar o cenário de falta de higiene causada por um conjunto de fatores, alguns moradores da região já disponibilizaram sacolas plásticas para que estes restos de carne e frango fossem depositados enquanto a prefeitura não realizasse a varredura. "Esse tipo de problema está na feira toda, mas nessa área de carne, marisco e frango a situação é pior. Sem os freezers a gente não pode confiar na qualidade dessas carnes. Ninguém sabe a procedência e a primeira impressão é a que fica. Como aqui elas estão no relento, tomando poeira e dispostas para as moscas, eu também prefiro sair de minha casa e comprar em algum açougue. Aqui, sinceramente, não tem condições", afirmou a funcionária pública Fátima Dias.

Notificação – Procurada pelo Jornal do Dia, a Prefeitura de Aracaju, através da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), responsável por administrar as feiras livres da capital, informou que a situação de calamidade higiênica é de conhecimento da administração municipal e algumas mudanças estão em andamento para, assim, adequar o ambiente comercial às normas estabelecidas pela Vigilância Sanitária. Sobre a ausência de frigoríficos portáteis a Emsurb disse enfrentar problemas administrativos quanto ao fornecimento do material. "Esses freezers eram locados aos feirantes. E, embora exista uma determinação para a utilização dos equipamentos, há também uma relação particular entre os comerciantes e os fornecedores dos refrigeradores", informou o assessor da empresa, Edvaldo Fernandes.

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