Amigo, conselheiro, entusiasta, visioná-rio e um dos grandes nomes da história de Sergipe. Estas foram algumas das formas que Rosalvo Alexandre, ex-vereador e ativista político que faleceu na madrugada de sábado, 11, foi citado durante os últimos momentos de seu velório na Associação de Engenheiros Agrônomos de Sergipe (Aease) na manhã desta segunda-feira, 13. As últimas homenagens foram prestadas no local e também durante o sepultamento, ocorrido no cemitério Colina da Saudade.
Foram muitos os que marcaram presença nas cerimônias desta segunda. O governador em exercício, Belivaldo Chagas, reafirmou a importância de Rosalvo Alexandre, principalmente no cenário político, e comentou sobre seus últimos momentos ao lado do governador Jackson Barreto, durante a instalação da Comissão da Verdade no dia 30 de junho.
"Foi uma feliz coincidência quando o governador fez a apresentação da Comissão da Verdade e Rosalvo estava presente. Estava até analisando a foto em que Jackson aparece com Rosalvo e parecia até uma imagem de despedida, pois o governador fez o ato da comissão, viajou, e de repente acabou acontecendo esse fato. Esperávamos que ele ainda vivesse por mais tempo ao nosso lado", destacou Belivaldo.
Para o governador em exercício, Rosalvo sempre foi um ativista político que fez questão de participar das ações do governo, da campanha de Jackson e de dar conselhos. "É uma pessoa que vai fazer falta. Vai fazer falta ao governo, em especial a Jackson Barreto, que é amigo pessoal, vai fazer falta a mim também, porque eu recebia visitas de Bocão, que fazia questão de me aconselhar e dizer para eu não deixar de ajudar o governo e ser amigo de Jackson. Perdemos um amigo, guerreiro, mas que deixou um legado bonito, pois foi um cidadão que fez questão de participar da vida política de Sergipe e do Brasil. Espero que a família se sinta confortada, apesar da dificuldade, e que Deus o receba de braços abertos", desejou.
Doença – Diagnosticado, há dois anos, com Atrofia de Múltiplos Sistemas (AMS), Rosalvo mantinha-se ativo na vida política sergipana, apesar das limitações físicas impostas pela doença neurodegenerativa.
Segundo a sua companheira há 12 anos, Aline Aragão, eles tinham ido a Belo Horizonte para ver umas adaptações para o carro, porque ele estava tendo dificuldade de mobilidade. "A gente iria no sábado fazer isso e nem chegamos a ir. Na sexta [10], jantamos, conversamos e ele estava bem, pediu até para tomarmos um chopp. Subimos para o quarto do hotel, a auxiliar de enfermagem, que nos acompanhava, e eu o ajudamos a ir ao banheiro e depois o deitamos na cama. Foi quando percebi que ele não estava bem, mas foi tudo muito rápido, não consigo mensurar o tempo em que tudo isso ocorreu, foi questão de dois minutos, foi infarto fulminante e a gente não teve como fazer mais nada. A enfermeira fez ressuscitação nele, massagem cardíaca, chamamos o Samu, que chegou em 10 minutos, mas não havia mais o que fazer e infelizmente ele veio à óbito", explicou a servidora pública, Aline Aragão.
De acordo com Aline embora a doença de Rosalvo fosse crítica, ele estava muito bem e nunca deixou de receber os vários amigos que iam até a sua residência pedir conselhos políticos e administrativos para a gestão do Estado. "Foi algo que a gente não esperava, ele estava doente, mas ele estava bem, estável. O Rosalvo foi um homem brilhante na política de Sergipe, todos os políticos dão depoimentos sobre ele confirmando isso e, para mim, ele foi tudo na minha vida".
Amigos desde 1965, o engenheiro agrônomo Sérgio Santana Menezes compartilhou grande parte da sua vida com Rosalvo Alexandre, desde a época do Atheneu, passando pela Faculdade de Agronomia de Cruz das Almas, onde se formaram em 1972 e depois no cotidiano da vida e do trabalho, em Aracaju. "Ainda estou assimilando tudo isso. Conversávamos diariamente e vai ficar um enorme vazio. Ele tinha uma liderança natural e uma preocupação muito grande com Sergipe. Embora ele tivesse com algumas limitações físicas por causa da doença, ele continuava com a mente ativa que sempre teve, com toda a inteligência que sempre demonstrou".
Histórico – Engenheiro Agrônomo por formação, Rosalvo Alexandre iniciou a militância política no colégio estadual Atheneu, quando integrou a base estudantil do Partido Comunista Brasileiro (PCB), à época um partido clandestino. Durante a ditadura militar, foi preso na Operação Cajueiro e torturado. Filou-se ao Movimento Democrático Brasileiro, o qual deu origem ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Junto ao governador Jackson Barreto, ajudou a fundar a Sigla em Sergipe. Rosalvo tinha 64 anos e deixa três filhos.


