Gabriel Damásio
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Os problemas provoca-dos pela superlota-ção das delegacias de polícia e pela paralisação dos servidores da Polícia Civil tiveram ontem a sua gota d’água: duas violentas rebeliões de presos que tentaram fugir de duas Delegacias Metropolitanas: a 2ª DM, no bairro Getúlio Vargas (zona central), e a 10ª DM, no Conjunto Bugio (zona oeste). Nos dois locais, os detentos promoveram um grande quebra-quebra, arrancando as grades das celas e tentando fugir por buracos nas paredes e nos telhados. Ao todo, 96 presos se envolveram nos dois conflitos e dois deles ficaram feridos, depois de serem espancados pelos próprios colegas de cela.
Foram os incidentes mais graves desde a piora da crise da superlotação nas delegacias, há três semanas, quando a Justiça proibiu a entrada de novos presos no Complexo Penitenciário Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão. As revoltas dos presos foram contidas por tropas do Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb), da Polícia Civil, e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) Nos dois locais, foram usadas balas de borracha e bombas de efeito moral, até que os presos se rendessem. Nenhuma fuga aconteceu, mas as carceragens das unidades ficaram destruídas. Após as rebeliões, os 55 presos da 10ª DM e 39 da 2ª DM foram algemados, colocados em ônibus e levados para a sede do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), no Capucho (zona oeste), onde aguardavam transferência para a Cadeia Pública de Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju).
A rebelião foi causada principalmente pela suspensão das visitas dos parentes e da entrega das "mensagens", remessas de alimento, roupas e produtos de higiene para os presos. Tal suspensão já vinha acontecendo desde quarta-feira, por causa da greve dos policiais civis, que alegam não ter condições de segurança para manter as visitas com o efetivo mínimo. Representantes da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) e da Secretaria da Segurança Pública (SSP) exigiram a transferência imediata deles para o sistema penitenciário.
"Em delegacia que tem mais de 30, 40 ou 50 presos, é óbvio que ficamos vulneráveis. Nós temos responsabilidade com o povo, vamos continuar prendendo e mantendo custodiados, mas se não houver uma solução urgente, outras rebeliões como essas vão acontecer. Preso de delegacia é provisório, terminou o inquérito, ele tem que ir embora", protestou o delegado-geral de Polícia, Everton Santos.


