Milton Alves Júnior
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Em greve há nove dias, servidores públicos ligados ao Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe (Sinpol) bloquearam na manhã de ontem todo o tipo de acesso às dependências internas do Instituto de Identificação, em Aracaju. Os manifestantes pedem que já a partir deste mês de agosto não haja mais divisão no pagamento salarial, conforme ocorreu no último mês de julho. Diante da interdição promovida pelos civis, as senhas deixaram de ser repassadas para a população e pelo menos 130 pessoas deixaram de ser atendidas.
Ao contrário do que era previsto por alguns manifestantes que acreditavam no apoio dos populares, o ato foi rejeitado por aqueles que se dirigiram à sede do instituto em busca de um atendimento. Independente dos acordos administrativos articulados entre a classe trabalhadora e o Governo do Estado, Fabíola Carvalho, residente do município de Nossa Senhora do Socorro, disse não aprovar a medida promovida por cerca de 30 agentes da Polícia Civil.
Na opinião dela, existem outras maneiras de pressionar o governo que não seja a retirada de direitos garantidos por lei para os brasileiros. "Se a ideia era parar o atendimento e contar com o nosso apoio, foi um tiro no pé porque aqui está todo mundo insatisfeito com esse bloqueio. Não é tirando os nossos direitos que vão conseguir alguma coisa. Atrapalharam a vida de pessoas que tiveram que chegar atrasadas no trabalho para serem atendidas; esse foi o meu caso", disse.
Os policiais pedem ainda a implantação do subsídio, implantação efetiva do Plano de Cargo, Carreira e Vencimentos (PCCV), além da definição de um percentual linear para recuperação das perdas inflacionárias, acumuladas em torno de 20%. Segundo a direção do Sinpol, essas ações possivelmente promovidas e retrocedentes, ocorrem no Estado de Sergipe desde o ano de 2008 e prejudicam todos os servidores.
Para João Alexandre Fernandes, presidente sindical, até o final da paralisação toda a atuação civil está restrita a situações de emergência. Entre estes serviços parcialmente prejudicados está o recolhimento e liberação de corpos, além dos flagrantes criminais. Apenas 30% do efetivo permanecem trabalhando normalmente. "É um direito constitucional de cada categoria de trabalhadores, dentro de um país democrático, parar as atividades em busca de ações progressistas e que valorizem o cidadão trabalhador. Sabemos dos contratempos causados com a suspensão do atendimento, mas se estamos fazendo isso é por uma boa causa", declarou o presidente.
Questionado sobre os serviços realizados de forma precária desde o primeiro dia útil deste mês, João Alexandre garantiu que todas as determinações legislativas estão sendo cumpridas a fim de não suspender totalmente o serviço. "Enquanto a greve continua com 70% da categoria aderindo ao movimento, os demais 30% não têm deixado o serviço parar. Pedimos compreensão da população, e principalmente do governador para que atenda o nosso pleito", pontuou.
Pela SSP foi informado que a perspectiva é que nesta terça-feira, 11, o atendimento seja regularizado, caso os sindicalistas do Sinpol não decidam novamente interditar o serviço. A direção sindical informou que o movimento grevista permanece até que as reivindicações sejam atendidas, mas não informou se outras atitudes semelhantes às da manhã de ontem irão se repetir.


