Inquérito do Caso Campo Lindo tem sete indiciados

O juízo da Comarca de Nossa Senhora das Dores (Sertão) recebeu oficialmente ontem o inquérito da Polícia Civil que investigou as denúncias de fraudes ocorridas na compra da Usina Campo Lindo, zona rural do município, em novembro de 2013. De acordo com as investigações do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e a Administração Pública (Deotap), a transação causou um prejuízo de R$ 22 milhões, valor que não foi pago aos herdeiros do antigo proprietário da usina. Ela é especializada na produção de combustível e energia a partir de biomassas, como o bagaço da cana-de-açúcar.

A delegada responsável pelo inquérito, Danielle Garcia, concluiu que houve crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e apropriação indébita. Sete pessoas foram indiciadas, incluindo o empresário paulista Silvio Manoel Lapa Miglio, responsável pela empresa GPB Investimentos e que aparece no inquérito como principal condutor da negociação, e a sogra dele, Celi Maria Lima Silva, em cujo nome foi realizada a compra da Campo Lindo.

As investigações constataram ainda que cinco pessoas teriam colaborado com o desvio de recursos da usina, a assinatura de cheques no nome de outras pessoas e a simulação de contratos de prestação de serviços com empresas, a fim de justificar as despesas. Entre os indiciados, está o médico Gilberto Santos, diretor do Hospital de Cirurgia e ex-presidente da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), e os empresários Haroldo José Santos Filho e José Carlos dos Santos.

O processo aberto em Dores está tramitando em segredo de justiça. A delegada do Deotap pediu ainda o compartilhamento do inquérito com o Ministério Público e outras autoridades, pois há a suspeita de envolvimento de outras pessoas com o esquema. A defesa de Sílvio Miglio anunciou que vai processar os herdeiros da usina, alegando que não foi cumprida a transferência de cotas da empresa. Outro argumento é de que a propriedade fazia parte de um inventário e não poderia ser negociada, o que, de acordo com a defesa, teria sido ocultado durante a negociação.

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