Milton Alves Júnior
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Um grupo de servidores federais participou na manhã de ontem de uma marcha pelas principais ruas e avenidas do centro de Aracaju, com o propósito de pressionar o governo para que seja aprovado o reajuste salarial linear de 27,3% de acordo as perspectivas da inflação, além de qualificar as atuais condições de trabalho e ampliação no quadro de funcionários públicos diante de real aumento no número de vagas em concursos públicos. O ato público teve início por volta das 9h na Praça Fausto Cardoso e contou com a participação de profissionais que atuam na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Ministério da Saúde, Ministério do Trabalho, além de trabalhadores do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), que completam hoje 42 dias de greve em Sergipe.
Durante a caminhada ficou claro também que as categorias reprovam a postura do Governo Federal que, em uma possível tentativa de minimizar os gastos com folha salarial, e conseguir pagar parte das dívidas, estaria demitindo funcionários sem justa causa de diversos setores públicos em todos os estados da nação.
Os manifestantes destacaram que essa não é a solução para combater os débitos administrativos, e, caso a situação permaneça, não está descartada uma paralisação geral e por tempo indeterminado em vários estados brasileiros, incluindo a capital Brasília. Durante toda a mobilização o grupo foi acompanhado por agentes da Polícia Militar, Guarda Municipal de Aracaju, e Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT).
Chama a atenção da população o período já em greve dos servidores do INSS. Eles alegam que mesmo depois de longos debates junto ao governo federal, a incorporação nas gratificações dos salários base e a redução da carga horária para 30 horas semanais não foram aprovadas para a categoria, e por isso todos permanecem de braços cruzados. O movimento grevista garantiu que 490 servidores devem permanecer distante dos respectivos pontos de trabalho também como forma de exigir a reposição das perdas inflacionárias acumuladas desde 2012, conforme contabilizou o Sindicato dos Previdenciários (Sindiprev/SE). Diante da permanência da greve, todas as 19 unidades de atendimento no Estado de Sergipe encontram-se com os serviços interrompidos desde as 7h do dia 09 de julho.
Na avaliação feita pelo secretário geral do Sindiprev, Joaquim Antônio Ferreira, ao longo dos últimos anos as categorias têm se mostrado muito paciente com a administração pública, mas enaltece que devido aos encontros negativos realizados junto a gestores, a greve se tornou um meio inevitável. "Infelizmente nenhuma resposta que agradasse aos trabalhadores foi apresentada pelo governo que alega passar por um momento delicado de crise econômica e política em todos os estados. Então essa crise se estende desde 2012? Estamos dialogando e pedindo melhorias há quase quatro anos e até agora nada. A greve não era interesse dos servidores, mas tornou-se inevitável devido a estes posicionamentos dos nossos governantes", afirmou o sindicalista.
No último dia 30 de julho uma comissão de profissionais do INSS dialogou com representantes do instituto, que receberam uma contraproposta. Ao analisar as condições apresentadas, o grupo decidiu permanecer com a paralisação. A participação na manifestação de ontem, além de agregar valor ao pleito coletivo dos servidores públicos federais, também serviu para pedir o apoio dos mais de 20 mil contribuintes que já deixaram de ser atendidos ao longo dos últimos dias. Ciente do caos que a greve deve gerar em todo o estado, o Ministério da Previdência Social já informou que todos os assegurados que não forem atendidos, estes terão sua data de atendimento remarcada. Esse serviço será promovido pela Agência da Previdência Social.
Agravante – Se a mobilização dos servidores do INSS é considerada extensa, os profissionais da UFS pode-se dizer que pouco trabalharam este ano. Em greve há exatos 83 dias, técnicos administrativos afirmam que, caso não haja avanços nos diálogos, a perspectiva é que os servidores permaneçam mobilizados por tempo indeterminado. Na opinião do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação da UFS (Sintufs), Lucas Gama Lima, a universidade enfrenta sérios problemas estruturais, inclusive no atual quadro de funcionários que hoje apresenta um déficit superior a mil servidores. Como forma de apoio às causas da educação pública, servidores do Instituto Federal de Sergipe (IFS) também participaram do ato.
"Estamos chegando no terceiro mês de greve e se o governo continuar tratando da nossa causa da forma que se encontra hoje, a paralisação vai permanecer por tempo indeterminado. Nosso ato em Aracaju foi muito produtivo e agradecemos a presença de todos que se deslocaram até a praça para se juntar a nós. Os colegas do IFS, em greve desde 13 de julho também colaboraram muito para que essa manifestação fosse um sucesso. Sem o reajuste salarial linear de 27,3% fica difícil dialogar", declarou o presidente. A mobilização recebeu o apoio também de estudantes da UFS e IFS, além de integrantes do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe).
Segundo o acadêmico Leandro Leal, é importante que a reitoria da instituição federal interceda de maneira mais atuante no diálogo entre os servidores e o governo. Apesar de não sofrer diretamente com a falta de aulas, o jovem alega que procedimentos administrativos estão se ‘empoeirando’ diante da continuidade da greve. "Esse é o termo mais adequado mesmo. Empoeirando. Estamos tendo aula normalmente, mas nada anda conforme previsto sem a atuação dos técnicos e lutam por direitos constitucionais os quais lhe são garantidos, mas ao mesmo tempo, retirados. Me solidarizo com a mobilização e por isso fiz questão de vir com alguns colegas de classe", disse.
Até o início da noite de ontem nenhuma contraproposta que satisfizesse as categorias foi apresentada. Após o ato público os servidores garantiram que outras mobilizações devem ocorrer ainda esse mês no Estado de Sergipe, mas não informaram onde e quando. Nenhum registro de violência ou desordem foi registrado durante a realização da marcha.


