Procon recebe mais de 25 mil reclamações do serviço de internet

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

O precário sistema 3G, 4G e internet banda larga fornecido para residências e pontos comerciais em Sergipe tem tirado o sossego da população e levado dezenas de clientes a oficializar reclamação contra as operadoras junto ao Programa de Proteção ao Consumidor (Procon). Conforme levantamento estatístico realizado em Aracaju apenas nos sete primeiros meses de 2015, 25.470 pessoas declararam publicamente alguma reclamação contra os fornecedores deste tipo de conexão. Desse total, 33,8% disseram ter minimizado os problemas após contextualizar juridicamente o problema, e 24,6% disseram não ter mais nenhum interesse em continuar tentando usufruir do serviço disponibilizado pela respectiva empresa contratada. Os demais 41,6% disseram ter trocado de operadora sem aguardar intervenção jurídica.
O Jornal do Dia, cliente da banda larga GVT, passou dois dias esta semana com o serviço sem funcionar, em função de supostas manutenção na rede.
Ao longo dos últimos dias, em especial à primeira quinzena deste mês de agosto, o sistema gerenciado apenas por empresas do seguimento privado começou a apresentar retrocessos ainda mais insatisfatórios para os milhares de clientes locais. Diante da expansão na queda de fornecimento de internet, vários órgãos públicos que dependem do serviço para monitorar e atualizar cadastros, tiveram que suspender atendimentos até que as operadoras regularizassem o sistema. Na última segunda-feira, 17, para continuar oferecendo o acesso aos servidores do Sergipeprevidência e todos os serviços online aos beneficiários, um link paliativo necessitou ser utilizado. Porém, até que a questão fosse totalmente sanada, os serviços apresentaram lentidão e capacidade de performance reduzida.
Já na terça-feira, 18, e quarta-feira, 19, foi a vez, também, do Jornal do Dia enfrentar uma interrupção no serviço de internet por quase 21 horas. Nos dois casos citados, a sede de atuação funcional encontra-se na área central da capital sergipana. Em bairros da zona Norte, Sul e Zona de Expansão, a situação é ainda mais preocupante para milhares de usuários deste meio tecnológico. Dizendo-se cansada de tanto esperar por uma manutenção na rede, a engenheira florestal Eliane Passos Ribeiro decidiu mudar de operadora, mas antes fez questão de buscar os respectivos direitos como orienta o Código Nacional do Consumidor. O Procon e o Tribunal do Justiça foram acionados para atender a causa.
"Nós brasileiros temos a feia mania, e isso eu digo por mim também, de se deparar com esse tipo de irregularidade e não buscar nossos direitos. Cumprimos com os nossos deveres que é pagar caro pelo serviço, mas algumas empresas parecem brincar com a cara do cliente. Passei mais de três meses enfrentando a mesma situação e cansei. Entrei com uma ação judicial e mudei de operadora", declarou.
Números nacionais mostram que parte dos brasileiros que atuam de forma semelhante à Eliane, volta a se deparar com o mesmo tipo de situação vivenciada anteriormente. Questionada sobre a possibilidade de enfrentar novamente a queda de conexão junto à nova operadora, a consumidora foi sarcástica na resposta: "Se posso entrar com vários processos, assim vou me posicionar. O que não vou mais aceitar é ter que pagar uma fortuna por um serviço de péssima qualidade e ter que acreditar que em alguns instantes os servidores desta operadora vão reparar um dano que parece ser eterno. A conexão aqui em Aracaju é horrível".
Em decorrência desta situação coletiva, clientes insatisfeitos com a recorrência dos fatos criaram nas redes sociais uma campanha denominada ‘Tudo Cai’, como forma de protestar de forma pacífica contra as duas maiores, ou mais populosas, empresas fornecedoras de internet móvel e fixa. A movimentação dos manifestantes já chama a atenção de representantes do Ministério Público e do Procon.
De acordo com o estudante de pedagogia, Luís Oliveira Ramos, a ideia é justamente provocar os órgãos municipais, estaduais e federais de fiscalização para que o problema, quem sabe, seja solucionado em curto prazo. O jovem diz entender que se trata de uma luta constante e intensa, mas que sem a atuação integral dos consumidores, nenhum resultado positivo deverá ser conquistado em Sergipe. "Precisamos do apoio de todos para compartilhar e curtir nossas postagens, porque só assim iremos avançar nas negociações. O que nos preocupa muito é se o sistema que já é ruim vai permitir que os sergipanos tenham acesso às redes sociais para participar deste protesto. Às vezes acredito que voltamos a era da internet discada", lamentou.

Anatel diz que acompanha as denúncias contra operadoras

Ao Jornal do Dia, a gerência da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que tem acompanhado diariamente as queixas apresentadas por populares, mas aproveitou a oportunidade para orientar os consumidores antes de buscar auxílio do órgão. Na avaliação do gerente Odiley Araújo, é preciso que o cliente acione a operadora responsável pelo fornecimento do serviço, e, caso o problema não seja solucionado, aí sim deve-se solicitar o apoio da Anatel. "Precisamos do protocolo de atendimento para que possamos estudar o caso, e se preciso, encaminhá-lo para analise em Brasília através de sanção. Quero aqui reafirmar que temos total interesse de atender melhor os brasileiros e que estamos integralmente preparados para qualificar esse sistema que é acompanhado a cada instante", destacou.
Ainda de acordo com a gerência, em Sergipe o site: www.brasilbandalarga.com.br apresenta ferramentas tecnológicas que permitem o consumidor a acompanhar instantaneamente o fornecimento de conexões, inclusive, promover testes para saber se a velocidade é compatível ao que fora adquirido no contrato. Em caso de dúvidas o cidadão pode entrar em contato com a Anatel através do número: 4009-1331, ou pessoalmente na avenida Gonçalo Prado Rollemberg, número 1013, bairro São José, em Aracaju.

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