Servidores da UFS e IFS retornam ao trabalho em outubro

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Técnicos administrativos do Instituto Federal de Sergipe (IFS) e da Universidade Federal de Sergipe (UFS) em greve há quase quatro meses promoveram na manhã de ontem um ato público na capital sergipana denominado: ‘cortejo fúnebre da pátria deseducadora’. Em caminhada pelas principais ruas e avenidas da cidade, as categorias protestaram contra a não aprovação do reajuste salarial linear de 27,3%, falta de qualificação nas atuais condições de trabalho e não ampliação no quadro de funcionários públicos por meio de vagas em concursos públicos. Depois de sucessivas reuniões, essa semana o Governo Federal apresentou uma contraproposta que agradou parcialmente a classe trabalhadora. Em assembleia os técnicos decidiram suspender a greve geral, porém, só a partir do dia 01 de outubro.
A continuidade da greve segue até o último dia útil deste mês por recomendação do comando nacional de greve que emitiu a proposta para todas as universidades e institutos federais de educação que aderiram ao movimento. Conforme foi denunciado pelos militantes sindicais, é possível analisar a falácia da ‘Pátria Educadora’ apresentada pela presidente Dilma Rousseff. A marcha, segundo análise apresentada pela direção do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação da UFS (Sintufs), se fez necessária para demonstrar ao povo sergipano a insatisfação que permanece predominante nas unidades federais de educação.
Ao analisar o fim da mobilização nacional, Lucas Gama, presidente do Sintufs, informou que a categoria decidiu atender às propostas apresentadas, mas destacaram que, mesmo sem permanecer com a greve, irão dar continuidade ao pedido de reajuste salarial, reajuste do auxilio alimentação, 30 horas de regime de trabalho e revisão do plano de carreira. "Não estamos abandonando o nosso pleito, muito menos estamos satisfeitos com a contraproposta apresentada por este governo especialista em falácias. Estamos dando um passo pra trás para conseguir dar dois pra frente. Esse cortejo fúnebre serve para demonstrar para a população o quanto o pronunciamento de ‘pátria educadora’ fica apenas bem elaborado nos discursos da presidente", afirmou.
Mais de 300 pessoas participaram da caminhada que teve início por volta das 9h na entrada principal do Instituto Federal de Sergipe, e seguiu até a Praça Fausto Cardoso, no Centro de Aracaju. Ao contrário da UFS que completou quatro meses de greve, os trabalhadores do IFS estão de braços cruzados desde o dia 13 de julho. Durante este período estima-se que cerca de 5 mil alunos deixaram de frequentar as salas de aula. Na Universidade Federal de Sergipe são mais de 30 mil alunos distantes das atividades de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. Até o final da tarde de ontem os sindicatos não apresentaram uma programação de novos atos previstos para ocorrer nos próximos meses, mas destacaram que, caso seja necessário, os servidores podem novamente deflagrar greve por tempo indeterminado.
"Estamos aceitando a proposta mísera apresentada pela presidente através do Ministério da Fazenda e do Ministério da Educação, mas isso não quer dizer que nossa luta para por aqui. Vamos sim retomar as atividades, mas paralelo a isso continuaremos tentando diálogo com este governo que deu as costas justamente para a educação. Se existia alguma pátria educadora nesse país ela foi enterrada na manhã de ontem", disse o assessor técnico Jonathan Cardoso. Apesar de a categoria ter reivindicado um aumento de 27,3% no salário dos trabalhadores, o governo informou que o Brasil enfrenta um período de crise financeira e, dentro da atual conjuntura, só poderia ceder 21,3%, isso parcelado em quatro anos.

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