Gabriel Damásio
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Os assaltos no transporte coletivo da Grande Aracaju também começaram 2016 em um nível alto de ocorrências. Apenas nos quatro primeiros dias do ano, 22 roubos a ônibus foram registrados pela polícia, segundo dados confirmados pelo Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Rodoviário de Aracaju (Sinttra). Três destes roubos aconteceram nesta segunda-feira, em um intervalo de duas horas. E os três primeiros dias do ano tiveram 19 assaltos, o que é um indicativo de a situação fique ainda mais grave, conforme avalia o vice-presidente do Sinttra, Francisco de Assis. O número chega é quase igual ao registrado na primeira semana de 2015, que teve 23 ocorrências em sete dias.
O ritmo dos crimes acompanhou o número registrado em 2015: oficialmente, foram 1.201 assaltos, sendo 150 em dezembro. E em meio a estes crimes, ocorreram duas mortes de passageiros dentro dos coletivos: a da auxiliar Taís da Silva dos Santos, 22 anos, em 6 de outubro, e a do policial militar reformado Luciano dos Santos Menezes, 49, em 17 de outubro. O total de assaltos em 2015 ficou bem acima dos 946 registrados em 2014 e dos 800 contabilizados em 2013, mas quase igualou a marca de 2008, quando quase 1.300 assaltos a ônibus foram registrados – e em todos esses anos, não houve mortes.
Em geral, os assaltos vêm sendo praticados por adolescentes e usuários de drogas, que buscam dinheiro fácil para sustentar o vício. Os locais apontados como de maior risco para as linhas de ônibus são os bairros e conjuntos mais populosos da periferia da capital, como Santa Maria, Santos Dumont, Japãozinho, Lamarão, Bairro Industrial, Marcos Freire e Fernando Collor. No entanto, uma característica tem mudado nos assaltos: os passageiros passaram a ser os alvos preferenciais dos criminosos, que fazem arrastões depois de pegar a renda dos cobradores.
Para o diretor do Sinttra, esta atitude pode aumentar ainda mais o número de ocorrências. "Viraram assaltos seguidos de arrastão. Os bandidos roubam do cobrador e do motorista, depois saem catando dos passageiros também. Se tiver celular, bolsa, carteira com dinheiro, eles tomam tudo. Fora os arrastões onde não levaram nada da empresa, só roubaram os pertences dos passageiros: eles não estão registrados, porque eles não quiseram prestar queixa na delegacia. Se a gente fosse registrar tudo isso ao longo de 2015, esse total passava de 1.500 assaltos", disse Francisco.
O sindicalista informa que um ofício foi protocolado ontem na Secretaria da Segurança Pública (SSP), pedindo que uma terceira reunião sobre o assunto seja convocada entre a cúpula da polícia, representantes da categoria e os responsáveis pelas empresas de ônibus. Assis promete também tentar audiências com o Ministério Público Estadual (MPSE) e o Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE).
A promessa é de uma cobrança mais incisiva dos rodoviários para que as autoridades diminuam os assaltos, aumentando as blitze e abordagens da Polícia Militar, nas linhas com maior incidência, e da Guarda Municipal de Aracaju (GMA), nos terminais de integração – onde boa parte dos criminosos embarca nos ônibus que serão roubados. Também serão cobradas condenações mais pesadas contra os autores dos assaltos, a fim de que eles fiquem mais tempo na cadeia, e a liberação imediata das imagens registradas pelas câmeras internas de segurança dos coletivos, as quais não estariam sendo entregues pelas empresas à PM e à Delegacia de Repressão aos Roubos a Ônibus (DRRO), responsável pela investigação dos casos.

