Homens são presos com 700 aves

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Mais de 700 aves silvestres foram apreendidas durante a madrugada de ontem pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Elas estavam no porta-malas de um Fiat Palio com placas de Teixeira de Freitas (BA), que foi abordado no quilômetro 200 da BR-101, em Cristinápolis (Sul). Os animais encontrados são das espécies ‘canário-da-terra’ e ‘papa-capim’, ambas originais da fauna brasileira, e eram no porta-malas do veículo, em péssimas condições de sobrevivência. Dois homens e uma mulher que estavam com a carga foram detidos em flagrante. Esta é a maior apreensão de pássaros silvestres realizada no Estado em 2016.
De acordo com o inspetor Flávio Vasconcelos, porta-voz da PRF em Sergipe, a abordagem foi feita por volta da 1h30, quando agentes do órgão faziam uma patrulha de rotina e desconfiaram das características do Palio. A carga foi achada logo no começo da revista. Os pássaros estavam colocados em 17 pequenas caixas amontoadas umas sobre as outras, o que os colocou em estado de forte estresse. "Pra se ter uma ideia, as caixas eram de 20 por 30 centímetros, aproximadamente, mas tinha uns 40 pássaros em cada caixa. Imaginem o estado em que os animais estavam. Em pleno século XXI, num momento em que tanto se fala de proteção ambiental, não se admite uma situação como essa", disse Vasconcelos.
Ainda segundo o inspetor, a carga com os animais era avaliada em R$ 35 mil e todos seriam vendidos em Maceió, provavelmente em feiras livres ou criadouros ilegais de pássaros em cativeiro. Uma das espécies encontradas, o canário-da-terra, está entre as mais procuradas por criadores e grupos que promovem rinhas semelhantes às de brigas de galo – igualmente proibidas por lei. De acordo com especialistas em ornitologia (estudo dos pássaros), isso acontece devido ao seu belo canto e à sua índole agressiva.
"Chamou a atenção dos colegas que havia um ventilador instalado no porta-malas do veículo. Ele era acionado por um interruptor de luz, igual a esses que temos em casa, que estava do lado do banco do motorista, e tinha o objetivo de amenizar a temperatura no compartimento de carga. Mas está claro que a preocupação do ventilador não era com o bem-estar dos pássaros em si, mas em evitar que os animais morressem e que a perda financeira na negociação fosse menor", relatou Flávio.
Os três ocupantes do carro foram interrogados e, segundo a polícia, não apresentaram nenhuma nota fiscal relacionada aos pássaros e nem a Guia de Transporte Ambiental (GTA), um documento emitido e exigido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) para autorizar o transporte das aves. Os dois homens foram levados para a Delegacia Regional de Estância e autuados com base na Lei de Crimes Ambientais, devendo responder ao processo em liberdade. Os pássaros, por sua vez, foram entregues ao Ibama para serem avaliados e posteriormente devolvidos à natureza.

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