Marcos Santana: "Vou lutar pra que minha cidade volte a ser forte economicamente"

O sancristovense Marcos Santana tem uma resposta rápida quando o assunto é a cidade natal: "Ouso dizer que podem existir vários outros sancristovenses que amem esta cidade com a mesma intensidade que eu, mas não há ninguém que a ame mais do que eu", afirma esse bancário de profissão, que acumula também uma larga experiência administrativa em gestão pública, tanto na esfera municipal quanto estadual.  É justamente essa experiência, aliada ao compromisso com o povo da sua cidade, que Marcos quer levar para a Prefeitura de São Cristóvão – ele é pré-candidato a prefeito nesta eleição. "A nossa cidade foi dilapidada por administrações desastrosas. O que desejo é entregar uma cidade melhor para nossos filhos e netos", defende. Um pouco do que Marcos Santana propõe nessa caminhada ele conta em entrevista ao Jornal do Dia. Confira:

Jornal do Dia – Estamos passando por um momento delicado no país, de mudanças positivas ou negativas, a depender da concepção histórica de cada lado.  Como o senhor avalia este momento?
Marcos Santana – De fato o Brasil estar passando por um processo que, a depender dos desdobramentos, terá repercussões desastrosas para os trabalhadores. Eu iniciei minha militância política lutando para que o nosso país fosse libertado do estado de exceção que se instalou aqui após o golpe de 1964. Agora torço para que tudo o que conquistamos nesses anos de luta não seja perdido.

JD-  O senhor é pré-candidato à Prefeitura de São Cristóvão. Qual o diferencial da proposta para São Cristóvão defendida pelo senhor?
Marcos Santana – Nasci, cresci, estudei e vivo em São Cristóvão. Ouso dizer que podem existir vários outros sancristovenses que amem esta cidade com a mesma intensidade que eu amo, mas não há ninguém que a ame mais do que eu. Mas só amar a cidade não basta. Desde os meus dezoito anos que passou a residir em mim o desejo de governar São Cristóvão. Eu me preparei durante muito tempo para governar a minha cidade. Estudei, me debrucei sobre os seus principais problemas e entendo que há duas linhas que pretendo nortear a minha administração. A primeira é a transparência. Nós vamos governar com transparência, criando todas as ferramentas para que a população tenha pleno e irrestrito acesso às informações. A outra característica da minha administração será a participação popular. Nós vamos criar os conselhos de bairros e chamar a população para discutir as prioridades da cada comunidade. Este, para mim é o diferencial da nossa proposta: governar com transparência e participação popular.

JD – O senhor aponta ser fundamental buscar o desenvolvimento para São Cristóvão. Quais os caminhos para alcançar esse desenvolvimento?
Marcos Santana –  A São Cristóvão que no final da década de 60 tinha duas indústrias têxteis que empregavam mais de 2000 pessoas. Imagine o quanto isso significava para a economia local. Lembre que nesta época o município devia ter pouco mais de 20 mil habitantes. Fiz este retrospecto histórico para dizer que vou lutar pra que minha cidade volte a ser forte economicamente. Vamos instituir uma política de atração de empresas com o objetivo de criar empregos e gerar renda para o nosso povo. A BR 101 cruza o nosso município por aproximadamente dez quilômetros e neste espaço privilegiado para a instalação de indústrias não há uma única empresa instalada. Isso não pode continuar assim. O interessante é que na mesma BR101, antes do Rio Poxim no município de Nossa Senhora do Socorro, existem inúmeras empresas instaladas e depois do Rio Vaza Barris, já no município de Itaporanga D’Ajuda, constatamos a existência de várias indústrias. Infelizmente na parte de São Cristóvão nada é investido. Vou lutar com todas as minhas forças para atrair empresas para São Cristóvão. Queremos os apoio do Governo do Estado através da Codise. Vamos procurar o empresariado nacional e disponibilizar as áreas e os incentivos no âmbito municipal para que as empresas se instalem em São Cristóvão. A maioria esmagadora da nossa população economicamente ativa trabalha em Aracaju, fato que nos rende um título que não queremos: o título de cidade dormitório. Queremos que o nosso povo trabalhe no município onde mora e desse modo possa criar um círculo virtuoso, girando a roda da economia, fazendo com que o comércio local cresça e também amplie a oferta de empregos.

JD – Há uma preocupação com a necessidade de fortalecer a identificação de parte dos moradores com a cidade. Por quê?
Marcos Santana – Este um outro problema e que atinge com mais intensidade os moradores da região que eu denomino de Grande Rosa Elze, que abrange o Conjunto Eduardo Gomes, o Rosa Elze e Rosa Maria, Madre Paulina, Jardim Universitário, Tijuquinha e tantos outros. Agora também começa a crescer a região próxima ao Santa Lúcia. Hoje sua população já ultrapassa os 45 mil habitantes e continua crescendo em progressão geométrica, porque a indústria da construção civil e as incorporadoras viram nessa região o filão para seus investimentos. O fato é que, majoritariamente, moram e irão ainda morar nessa região pessoas que não guardam nenhum vínculo afetivo com o município de São Cristóvão. Elas trabalham em Aracaju, consomem em Aracaju, têm seu lazer em Aracaju e dormem em São Cristóvão, mas como suas moradias são em São Cristóvão, elas vão demandar serviços (saúde, educação, coleta de lixo, limpeza e iluminação pública) do nosso município. Por isso nós vamos ter um olhar especial para esta região. É preciso ofertar os serviços que as comunidades necessitam, mas também faz-se necessário criar nelas o sentimento de "sancristovidade", fazê-las sentirem-se pertencentes e "pertencedoras" de São Cristóvão.

JD – O senhor preside no município o Hospital Senhor dos Passos, então já tem uma certa experiência administrativa na área de Saúde. O que propõe para o segmento?
Marcos Santana – Dirigir o hospital é atividade que me dar mais prazer hoje em dia. É um trabalho de voluntariado que faço com muito amor e que só me traz alegria. Quando iniciamos nosso mandato no hospital ele funcionava em casas alugadas na cidade. Hoje está num prédio novo, cuja reconstrução foi doada pelo Governo do Estado no início do mandato do querido Marcelo Déda. Com a eleição de Jackson Barreto continuamos sendo olhados com carinho pelo Governo. Nós temos um contrato de prestação de serviço com a Secretaria de Estado da Saúde que nos obriga a realizar 5.827 procedimentos mensais, além de disponibilizar vinte leitos para regulação pelo HUSE. Em abril nós realizamos 8.608 procedimentos, 47,7% acima da meta. O hospital está equipado com aparelho de RX e um laboratório que não fica atrás de nenhum outro laboratório em Sergipe. Infelizmente, a atual administração municipal não compreendeu a importância do hospital e nunca disponibilizou ou fez convênio que possibilitasse a ampliação dos serviços para os munícipes. Nós pretendemos, se chegarmos ao comando do município, transformar o hospital no principal equipamento de atendimento à saúde dos nossos munícipes.

JD – Como o fato de São Cristóvão ser uma cidade turística, histórica, pode trazer resultados concretos para a população, além da importância sociocultural, é claro?
Marcos Santana – Além do patrimônio material nossa cidade tem um patrimônio imaterial riquíssimo. Chegança, Reisado, São Gonçalo, Samba de Côco, são exemplos típicos do nosso folclore. Mas ainda há muita coisa a ser explorada e conduzida para que atraia o turista para a nossa cidade e possa gerar emprego e renda. O turismo ecológico potencialmente explorado na foz do Rio Vaza Barris é um exemplo de diamante a ser lapidado. Há ainda o turismo religioso. São Cristóvão tem as mais tradicionais e seculares festas religiosas do Estado de Sergipe. A festa de Senhor dos Passos é um exemplo. Outro ponto a ser explorado turisticamente é a Procissão de Corpus Christi e os tapetes ricamente desenhados em nossas ruas e vielas. Tudo isso são exemplos ainda inexplorados ou insuficientemente explorados como potencializadores para a geração de emprego e renda.
JD – Qual a mensagem que o senhor deixa para o povo de São Cristóvão neste momento de profundas mudanças políticas.

Marcos Santana: O que quero deixar para a minha gente, para os meus conterrâneos e para aqueles que adotaram São Cristóvão como local de moradia é uma mensagem de esperança. Não estou vendendo ilusão. O que estou propondo é um pacto pela cidade. Sei que o desafio é hercúleo. A nossa cidade foi dilapidada por administrações desastrosas. A caminhada será longa, mas ela começa com um simples passo. Eu estou me propondo a dar este passo. O que desejo é entregar uma cidade melhor para nossos filhos e netos.

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