Servidores da saúde encerram greve, mas fazem ameaças ao prefeito

Milton Alves Júnior

Depois de 13 dias em greve, servidores da Saúde municipal em Aracaju voltam hoje às atividades, mas já mandam um recado para o prefeito João Alves Filho: caso os salários referentes ao mês de agosto não sejam depositados no último dia útil, uma nova paralisação por tempo indeterminado será deflagrada por dez categorias. A decisão foi homologada no final da tarde de ontem durante assembleia realizada pela classe trabalhadora. A decisão inclui a exigência do repasse retroativo de 4,42% de reajuste salarial aprovado na última quarta-feira, 17, na Câmara de Vereadores de Aracaju.
Além do recorrente atraso salarial, médicos, nutricionistas, enfermeiros, psicólogos e agentes de combate a endemias, por exemplo, denunciam precariedade das estruturas físicas, não pagamento das horas extras e contratações de terceirizados para tentar realizar os serviços durante os movimentos grevistas. Na avaliação do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), é necessário que a Prefeitura de Aracaju encontre soluções emergenciais para atender ao pleito dos servidores, caso opte por evitar que novas greves voltem a provocar danos às famílias que necessitam de assistência clínica e hospitalar.
"Nós estamos buscando sempre conversar com o prefeito João Alves e ele nunca está disponível a nos atender. O pior disso tudo é que ele não nos atende e os representantes, sejam eles secretários, ou não, acabam ouvindo as reclamações seguidas de reivindicações, mas não fazem nada para solucionar as irregularidades. Por isso a greve tem sido aprovada pelas categorias com facilidade", declarouo presidente do Sintasa, Augusto Couto. Uma nova assembleia geral está prevista para acontecer no dia 31, última quarta-feira deste mês, quando os sindicatos irão checar se os salários foram pagos, e se estes foram depositados com o reajuste.
"Não podemos mais aceitar as condições precárias de trabalho e o desrespeito com os nossos direitos. Geralmente somos os últimos a receber o salário e outros direitos como férias e horas extras trabalhadas. A situação simples e direta: ou o prefeito João Alves paga em dia com todos os nossos direitos, ou suspenderemos as atividades dentro do limite constitucional que é de 70%", comentou a psicóloga Daniele Martins.

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