A Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) realizou ontem a audiência pública “Atlas da Violência no Brasil: genocídio da população brasileira”. Ela contou com a palestra de dois dos autores da pesquisa: a diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, e o pesquisador, Daniel Ricardo Cerqueira, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea).
Os pesquisadores apresentaram dados contidos na pesquisa e demonstraram que os homicídios aumentaram particularmente nos Estados do Nordeste. Em todo o país, apenas dois estados tiveram êxito na redução dos índices de homicídios: Pernambuco e Espírito Santo. Ainda de acordo com o estudo, Sergipe figura como a unidade da federação com maior número proporcional de mortes violentas no Brasil e Nossa Senhora do Socorro, na Grande Aracaju, como a terceira cidade mais violenta do Brasil entre os municípios com até 100 mil habitantes.
Eles debateram de maneira aprofundada as variáveis que interferem no crescimento da violência em Sergipe e no Brasil. “As diferenças dos índices de violência entre municípios com características semelhantes reside centralmente na diferença dos Índices de Desenvolvimento Humano destes municípios”, destacou Cerqueira. Samira, por sua vez, chamou a atenção para o perfil das vítimas da violência, que tem corte de classe, gênero, idade e raça: “a maioria são do sexo masculino, jovens, negros e moradores das periferias”, apontou. No caso do feminicídio, aponta ela, os índices de violência contra a mulher branca decresceram, enquanto os contra a mulher negra ampliaram.
Os especialistas apresentaram experiências empíricas internacionais que deram certo.
Entre as ações apontadas como estratégicas estão o comprometimento do principal líder político local; a articulação de redes que envolvam os agentes do poder público e da sociedade civil organizada; a produção de diagnósticos locais específicos como base de planejamento; a criação de espaços de prevenção, mediação e negociação; a refundação do modelo de policiamento; e sobretudo a adoção de ações preventivas sociais, priorizando a articulação de políticas públicas.


