Milton Alves Júnior
Usuários do Sistema Único de Saúde podem ficar sem atendimento na Fundação Hospital de Cirurgia já a partir da próxima quarta-feira (20), caso a direção hospitalar não realize o pagamento salarial referente ao mês de novembro para 1.280 profissionais atuantes nas mais diversas áreas da unidade filantrópica. Ao Jornal do Dia, a direção do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), lamentou que, paralelo ao atraso salarial, o pagamento da segunda parcela referente à gratificação natalina – décimo terceiro, ainda não esteja disponível aos servidores. Caso os débitos não sejam quitamos até a noite de hoje, uma assembleia extraordinária já está prevista para ocorrer na próxima terça-feira, 19.
Diante da promessa de suspensão em até 70% dos serviços, é possível que o Hospital de Urgência de Sergipe volte a registrar superlotação nesta última quinzena de 2017; ano, inclusive, marcado mais uma vez pela precariedade assistencial destinada a milhares de sergipanos dependentes do SUS. De acordo com a direção do HC, todos os esforços administrativos estão sendo promovidos de forma constante na tentativa de estabilizar as demandas financeiras, e, assim, evitar que o serviço terceirizado volte a gerar problemas junto ao quadro clínico dos pacientes. Inicialmente a promessa era de repasse salarial até a noite de ontem.
"Para muitos isso não ocorreu e não podemos descartar a possibilidade de cruzar os braços até que os nossos direitos enquanto trabalhador sejam respeitados. Para a nossa lamentação mais de 1.250 famílias seguem prejudicadas por falta dos pagamentos e isso pode acarretar em uma greve geral a ser debatida em assembleia", declarou Augusto Couto, presidente do Sintasa. Ainda segundo o sindicalista, para que a suspensão não seja configurada: "é necessário que o salário seja pago. Estamos dialogando de forma cordial, mas se continuar nessa situação repleta de retrocessos será difícil manter a paciência da classe trabalhadora".
Com base na Constitucional Federal, todos os empregadores têm até o próximo dia 20 de dezembro para quitar a segunda parcela do 13º salário para seus empregados, caso isso não ocorra, a empresa, ou órgão público, está passivo de punição jurídica. Sobre o assunto, o Sintasa também ressalta bom dialogo com o Hospital de Cirurgia, mas que aguarda apresentação do calendário de pagamento. Caso a data limite seja atingida, a greve também tende a ser deflagrada pelos servidores. A assessoria jurídica do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe tem acompanhado o caso.


