Milton Alves Júnior
Ao longo dos últimos seis meses a direção do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) vem apresentando um conjunto de problemas administrativos e operacionais provocados diretamente pelo congelamento da tarifa cobrada no transporte público da região metropolitana de Aracaju. Empresas garantem que o índice inflacionário sobre os produtos – em especial sobre o preço dos combustíveis e pneus -, contribui para que o cenário de dificuldade atinja o limite da capacidade técnica em manter o sistema sem intercorrências. Mesmo enaltecendo a necessidade de reajuste tarifário, ou corte de gratuidade, a Prefeitura de Aracaju revelou essa semana que não há perspectiva de aumento para os próximos meses.
Declarações dadas pelo responsável geral da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), Renato Telles, ainda não há previsão para decidir sobre a solicitação de reajuste da tarifa do transporte público na capital sergipana. O superintendente revelou ainda que Aracaju necessita de ações emergenciais que resultem em avanços unificados do sistema integrado, mas destacou que a licitação do transporte público, por exemplo, deve ser discutida com mais cautela. Enquanto esse processo licitatório não é posto em prática, Telles chama a atenção para ações emergenciais, como o Projeto de Lei aprovado no Senado, o qual obriga o governo federal a arcar com a gratuidade dos idosos. O gestor municipal afirma que essa medida é fundamental para o presente momento.
“As empresas prestadoras do serviço de transporte coletivo encontram-se em desequilíbrio econômico expressivo, que tem sido acumulado ao longo dos anos e foi bastante agravado neste período de pandemia. Somado a isto, a última revisão da tarifa foi concedida em dezembro de 2018 e já não atendia a previsão técnica do que era necessário para equilíbrio na conta entre passageiros pagantes e custos. Esse déficit sobressaiu nos últimos dois anos, onde a queda do número de passageiros que chegou a marcar 70% em 2020 e 2021 se finalizou com uma redução de 47% ainda do volume de passageiros”, destacou o Setransp, que completou: “É preciso se atentar ao fato de que o transporte público somente em Aracaju e na Região Metropolitana emprega quase 3 mil pessoas.”


