A paz de Putin

O horror...

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Vladimir Putin “busca a paz”. A declaração é do presidente Jair Bolsonaro, anterior à invasão da Ucrânia. Em verdade, no entanto, a sucessão dos fatos marcados no calendário não exime o brasileiro de culpa. Há tempos, o bafo podre da pólvora contamina o ar.
A paz de Putin salta aos olhos, consiste no livre emprego da força bruta. Bombas explodem, tropas e tanques avançam, levam o horror à população civil. Os invasores celebram, assim, com forte aparato bélico, a glória vã de um passado histórico de sonho, erigido para fazer frente ao avanço da democracia ocidental.
Segundo matéria publicada pelo jornal New York Times, o ataque foi autorizado pelo parlamento russo. Um deputado nacionalista, Andrei Lugovoi, disse esperar que o assalto marque “o início do retorno de toda a Ucrânia ao seu seio histórico”. Outro, Sergei Mironov, não economizou adjetivos para atacar Zelensky, presidente da Ucrânia. “Covarde, mentiroso e canalha”.
Apesar de todas as consoantes próprias da gelada língua russa, o vocabulário dos invasores soa familiar, cá sob o sol abrasivo dos trópicos. A distorção dos fatos, a mentira deslavada, a truculência, também assumem as vestes formais de argumento nas tribunas de pindorama. O autoritarismo de viés nacionalista é música para os ouvidos de Bolsonaro.
Boa parte do mundo civilizado está alinhada em uma fileira democrática, contrária à opressão e a guerra. Sanções econômicas são impostas. Joe Biden, Emanuel Macron, até Boris Johnson condenaram o ataque russo com todas as letras. O vice-presidente brasileiro, o general Hamilton Mourão, chegou a sugerir o revide na mesma moeda. De Bolsonaro, tomado pela preocupação de sabotar as eleições de outubro, amigo irmão de toda a escória autocrática deste mundo, ninguém ouviu um pio.

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