Contra projeto de reajuste, policiais decidem atacar aliados de Belivaldo

Gabriel Damásio

Em uma nova estratégia para tentar emplacar um reajuste salarial maior para as categorias de Segurança Pública, o Movimento Polícia Unida, além de manter as mobilizações de protesto e de operação-padrão, decidiu ir pra cima dos pré-candidatos apoiados pelo governador Belivaldo Chagas, dentro do processo de sucessão para o governo do Estado, nas eleições de outubro. A tática ficou clara nesta semana, quando o Polícia Unida divulgou uma carta aberta endereçada aos políticos cotados para a cabeça-de-chapa do grupo de sustentação a Belivaldo: o prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira (PDT), o deputado estadual Luciano Bispo (MDB), o conselheiro do TCE Ulices Andrade (PSD) e os deputados federais Laércio Oliveira (PP) e Fábio Mitidieri (PSD) – apontado como favorito.
Além da carta, as entidades de classe marcaram manifestações para o mesmo dia e local de uma reunião aberta à imprensa, na qual Belivaldo deverá anunciar o nome do candidato que irá apoiar. Ela deverá ocorrer entre os dias 14 e 16 deste mês, em local ainda não definido. A indicação é de que o escolhido deverá enfrentar marcação cerrada e oposição dos policiais e bombeiros, mesmo durante a campanha eleitoral. A tática é conhecida como “escracho”, na qual opositores vão a uma solenidade oficial e a interrompem fazendo um protesto contra o alvo, criando-lhe um constrangimento público. Até mesmo um slogan chegou a ser divulgado: “Governador que não respeita servidor não merece fazer sucessor”.
Isso está confirmado na própria carta aberta, divulgada após o anúncio de que o Palácio de Despachos irá mandar à Assembleia Legislativa o projeto com reajuste linear de 7%, mais um programa de reestruturação das carreiras militares e policiais, com a definição de intervalos menores para as promoções de postos e cargos. O governo já bateu o martelo, encerrou as negociações e vai mandar o projeto à Alese na semana que vem – o que foi dito pelo próprio governador na quinta-feira, em solenidade no interior do estado. Só que as categorias rejeitam o que está no projeto e acusam Belivaldo de “intransigência” e “deslealdade” ao enviar o projeto sem negociá-lo diretamente com os líderes do Polícia Unida.

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