A alimentação no futuro

Saumíneo Nascimento

A Agência da ONU para Alimentação e Agricultura, FAO, divulgou um relatório de riscos e oportunidades sobre alimentos do futuro. Com mais de 7,7 bilhões de habitantes no mundo e uma tendência de crescimento nas próximas décadas, a FAO se preocupa com formas sustentáveis de geração de alimentos para todos.
Registre-se que a FAO lidera o esforço internacional para acabar com a fome. A instituição tem o objetivo de alcançar a segurança alimentar para todos, garantindo o acesso regular a alimentos suficientes e de boa qualidade para uma vida ativa e saudável.
Neste sentido é importante destacarmos que os sistemas agroalimentares estão passando por uma transformação com o objetivo de fornecer dietas mais seguras, acessíveis e saudáveis para todos, produzidas de maneira sustentável, proporcionando meios de subsistência justos e equitativos: uma chave para alcançar a Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável. No entanto, de acordo com a FAO, essa transformação precisa ser executada no contexto global de grandes desafios enfrentados pelos setores de alimentos e agricultura, com fatores como mudanças climáticas, crescimento populacional, urbanização e esgotamento de recursos naturais, agravando esses desafios.
De acordo com a FAO, a segurança alimentar é uma pedra angular dos sistemas agroalimentares e todos os atores da segurança alimentar precisam acompanhar a transformação em andamento enquanto se preparam para enfrentar as possíveis ameaças, interrupções e desafios que possam surgir. A previsão em segurança alimentar facilita a identificação proativa de fatores e tendências relacionadas, tanto dentro como fora dos sistemas agroalimentares, que têm implicações para a segurança alimentar e, portanto, também para a saúde do consumidor, a economia nacional e o comércio internacional. A identificação precoce e a avaliação de fatores e tendências promovem o planejamento estratégico e a preparação para aproveitar as oportunidades emergentes e enfrentar os desafios da segurança alimentar.
Na publicação mais recente da FAO, o programa FAO Food Safety Foresight fornece uma visão geral dos principais impulsionadores e tendências globais, descrevendo suas implicações para a segurança alimentar em particular e para os sistemas agroalimentares por extrapolação. Os vários drivers e tendências relatados incluem mudanças climáticas, mudança de comportamento e preferências do consumidor, novas fontes de alimentos e sistemas de produção, avanços tecnológicos, microbioma, economia circular, fraude alimentar, entre outros.
Na minha opinião o tema da alimentação do futuro precisa ser pauta permanente dos formuladores de políticas, das instituições de ensino, dos gestores de empresas de alimentos, do setor privado de uma forma geral e por fim de todos nós, consumidores dos alimentos.
Ao apresentar o estudo “Refletindo sobre o Futuro da Segurança dos Alimentos”, a FAO cita que quaisquer que sejam as opções de novos alimentos como medusas ou água viva, insetos comestíveis e carne em células e alimentos com base em plantas, é preciso começar a se preparar para questionamentos e preocupações agora.
A FAO também cita o papel da tecnologia na produção dos alimentos do futuro como inteligência artificial, blockchain e nanotecnologia. Além disso, o relatório examina grandes fatores globais como crescimento econômico, mudanças de comportamento e padrões do consumo, aumento da população e a crise climática que afetarão a segurança alimentar no futuro.
Segundo a agência, o mundo vive inovações científicas e tecnológicas que estão revolucionando o setor agroalimentar incluindo a segurança dos alimentos. É importante que os países se atualizem sobre essas mudanças e cooperem com a FAO.
O relatório mapeia as áreas mais críticas para agricultura e alimentos com o foco na segurança dos alimentos, que tem aumentado na mente dos consumidores em todo o mundo.
O estudo cobre oito categorias que impulsionam as tendências: mudança climática, novas fontes de alimentos e sistemas de produção, aumento no número de jardins de vegetais e outros locais de plantio nas cidades, mudanças no comportamento dos consumidores, economia circular, ciência de microbioma (que estuda bactérias, vírus e fungos no intestino e no ambiente), inovação científico-tecnológica e fraude de alimentos.
Segundo a FAO, como o rápido crescimento populacional, urbanização, aumento da riqueza e consequentes mudanças nos padrões de consumo – estão testando a capacidade dos sistemas alimentares de fornecer alimentos nutritivos e ajudar a oferecer melhores oportunidades de subsistência de maneira ambientalmente sustentável.
Precisamos ter um sistema alimentar sustentável que é aquele que garante a segurança alimentar e nutricional para todas as pessoas de forma que seus fundamentos econômicos, sociais e ambientais não sejam colocados em risco para as gerações futuras. Isso significa que é sempre rentável, garantindo a sustentabilidade econômica; que oferece amplos benefícios para a sociedade, garantindo a sustentabilidade social; e que tem um efeito positivo ou neutro sobre os recursos naturais, salvaguardando a sustentabilidade do meio ambiente.
Pensar na alimentação do futuro requer ter atenção com pontos que afetam o nosso presente, a exemplo do aumento da exposição e contaminações, sendo um dos fatores as mudanças da temperatura, pois em algumas regiões do mundo, como a Ásia e África. Também é necessário pensar em novas tecnologias que possibilitem uma alimentação suficiente, adequada e bem distribuída para a população mundial.

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