ATITUDE DE BOULOS É UM TAPA NOS INSENSATOS

Rômulo Rodrigues

O grande líder e militante destacado do MST e do PT, Esmeraldo Leal, há de se lembrar de dois fatos acontecidos no ano de 2004.
O primeiro foi quando da composição da lista de candidatos a deputado federal pelo PT, em que foi apresentado na reunião da executiva estadual, o nome do vereador Dr. Emerson e ele pediu destaque, apresentando restrição, por entender que o requerente atrapalharia a eleição de João Daniel.
Apresentei voto contra argumentando que à luz do quociente eleitoral vigente e o cálculo subsequente da média eleitoral, seria importante a votação de Dr. Emerson para garantir uma vaga para o Partido dos Trabalhadores.
Com a concordância de Esmeraldo e a retirada do destaque, a certeza veio na madrugada tensa do domingo para a segunda feira da apuração em que ele, João Daniel e Joaldo Santos, da Estância, me mantiveram acordado, revisando cálculos, convencidos que estavam por um Blog local, de que a última vaga estava garantida para Mendonça Prado do DEM.
A vaga ficou para João Daniel, do PT, por uma diferença de 500 votos a mais na média eleitoral e como havia projetado 10 mil votos para o Dr. Emerson, os mais de 9 mil votos obtidos por ele fizeram a diferença a favor de João Daniel, que com certeza, não deve mais lembrar do fato.
A segunda, foi quando fui participar da coordenação da campanha de João Daniel para deputado federal, analisei que o paradigma da luta de classes estava mudando; que depois do chão da fábrica e do chão da terra, o próximo seria o chão urbano com suas demandas e, nesse novo contexto, o próximo líder em ascensão seria Guilherme Boulos que, inclusive, passaria à frente de João Pedro Stédile, nas novas pautas conjunturais.
Não sou profeta, nem tão pouco visionário, mas no diário do momento está escrito que Guilherme Boulos deu uma tapa na cara de muita gente, ao anunciar que não disputará o governo do Estado de São Paulo e vai disputar a cadeira de deputado federal e formar uma frente que garanta uma grande bancada progressista na Câmara dos Deputados, para sustentar a governabilidade do presidente Lula.
E isto é necessário meu caro Ernest Hemingway? É mais necessário que a própria eleição. É submeter o projeto pessoal ao projeto maior de reerguer uma nação.
Vejamos sua postagem no Twitter: “Tomei a decisão de ser candidato a deputado federal por uma razão; ajudar a construir uma grande bancada de esquerda no congresso nacional”.
Hoje, o centrão governa o Brasil. Precisamos ter força para revogar a reforma trabalhista, o teto de gastos e aprovar mudanças populares.
Num segundo Twitter: “O que está em jogo neste ano, não é apenas ganhar uma eleição, mas tirar o Brasil do buraco e resgatar a esperança. Eleger Lula é decisivo, mas vamos precisar de um congresso que expresse os interesses populares e quero estar na linha de frente dessa batalha”.
Boulos acertou na mosca porque a pesquisa FSB Pactual traz dados interessantes que reforçam o ato político praticado por ele.
A pesquisa diz que Lula é o mais preparado para governar o país, por 43% das pessoas. Diz também que quer que sejam ampliados os programas sociais; quer a redução da pobreza; que ampliação dos programas de distribuição de renda, geração de mais empregos; que combate à inflação e à corrupção; quer mudanças na economia e redução de impostos.
Boulos, assim como Roberto Requião e em breve Jackson Barreto, serão provas vivas de quem joga no coletivo dos defensores da democracia, que é o que verdadeiramente está em jogo no ano de 2022, no Brasil e vários outros países do mundo.
E o perigo real está estampado nos editoriais dos jornais O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de São Paulo, além das narrativas criminosas dos telejornais do sistema Globo defendendo a implantação do semipresidencialismo.
O escárnio de O Globo está claro na manchete sobre a inflação e o preço da gasolina, com a seguinte ironia: a gasolina está cara? Compre um carro elétrico, cujo modelo mais barato é R$ 165 mil.
O histórico dela é de ser contra o salário mínimo, contra a Petrobrás, contra a democracia e a favor do capital internacional. Conta com a conivência de quem assiste e vota nos paredões do BBB e vai dormir satisfeito por ter eliminado outro idiota.

Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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