É A ECONOMIA SIM, D. FOLHA; MAS A DEMOCRACIA TAMBÉM CONTA

Rômulo Rodrigues

O jornal Folha de São Paulo que apoiou integralmente a ditadura militar, emprestando seus carros de reportagem e distribuição de jornal para transportar torturadores e torturados sem deixar suspeitas, quando veio o arrependimento chegou a ter tiragens recordes de exemplares, se constituindo num veículo de referência, hoje sofre uma grande recaída autoritária, embarcando no bolsonarismo, ao ponto de exigir em edital que lula anuncie quem será o ministro da economia, antes até, de ser vencedor da eleição.
Aquele antigo jornal, que chegou a uma tiragem de mais de 500 mil exemplares num frio domingo da década de 1970, hoje, nas mãos de financistas, não chega a uma tiragem de 20% num tempo em que a população já é mais que o dobro.
A cobrança do jornal não tem nada a ver com a economia, foi só para gerar manchete para a mídia eletrônica, como já está ficando claro nos enfoques do telejornalismo global. Ou seja, querem sequestrar Lula, em caso de vitória dele.
O grosso do petismo, que já vem embarcando no messianismo político, notadamente aqui no estado, não tem dado a devida importância ao que é mais fundamental para salvaguardar nossa democracia.
As sucessivas mudanças da lei 9.504/97 parecem não ter despertado na nossa gente a devida atenção para a abertura de duas vias fundamentais para a sobrevivência da República como terra arada para o plantio democrático e o resultado das eleições parlamentares, trouxeram o aviso; é por elas que a democracia avança para extinguir em curto período de duas eleições uma anomalia chamada Centrão.
O primeiro destaque vai para a adoção do instrumento fundamental para a construção e consolidação de partidos nacionais que é a federação. Com ela, acabam-se os jeitinhos de acomodar as safadezas das coligações localizadas com as desculpas esfarrapadas que são para acomodarem interesses estaduais e municipais que; vão frear muitas negociatas.
O segundo destaque vai para a importância do fundo eleitoral ou fundo partidário. Ora, se o regime é republicamos e todos os poderes e instâncias são custeados com dinheiro proveniente da arrecadação de impostos e do Orçamento da União, é fundamental e indispensável que o custeio da democracia também o seja.
As recentes pesquisas feitas pelos institutos com mais credibilidades indicam que o eleitor tem como eixos de preocupação prioritários: a economia; a democracia; e corrupção.
Na economia, o Brasil encerrou o ano de 2014 com pleno emprego; 388 bilhões de dólar de reservas cambiais; o salário mínimo acumulando 76% de ganhos reais sobre a inflação; o maior crescimento do PIB per capita entre os países do G-20 e inflação dentro da meta.
Na democracia, o PT acabara de vencer a 4ª eleição presidencial seguida, reelegendo a primeira mulher presidenta do Brasil e com todas as instituições funcionando e sem nenhuma ameaça de golpe por parte de quem ocupava o poder com legitimidade.
Corrupção, assim como já acontecera em vários países, os grupos financiados por empresas estrangeiras incomodadas com os sucessos das empresas brasileira como Petrobras e Odebrecht, criaram uma ofensiva de denuncias de corrupção que nunca provaram e em conluio com a mídia, parte das forças armadas, parte de procuradoria federal e do judiciário, elaboraram um falso projeto econômico chamado ponte para o futuro, deram um golpe que destruiu a Petrobras, entregou o Pré Sal para as petroleiras multinacionais, desempregou 14 milhões de pessoas, levou o Brasil da 6ª para a 12ª economia do mundo e de volta ao mapa da fome da ONU, com gente que fazia 3 refeições diárias, passando a disputar fila do osso e revirar lixo a procura do que comer.
No que diz respeito à corrupção já está provado que o golpe de 2016 desencadeou um processo de corrupção que hoje envolve toda a família do atual presidente da República, desde a associação com milícias, adoção de rachadinhas, como método de financiamento familiar, lavagem de dinheiro e compra de 51 imóveis pagos em dinheiro vivo, propina na compra de vacinas contra o Covid-19 e pagamentos com barras de ouro no MEC.
O Brasil está diante de um grande desafio que remota ao humor refinado de Stanislaw Ponte Preta; “Ou nos locupletemos todos, ou restaure-se a moralidade”.

Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político.

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