Rômulo Rodrigues
Poderá ter ou não ter, a depender de como a sociedade esteja preparada para reagir à iminência de uma vitória do fascismo, que se alastra país a fora, como nas duas grandes celebrações religiosas Círio de Nazaré e a missa na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, quando o fascismo se fez presente para provar sua barbárie, com seus desrespeitos e ameaças, deixando bem claro de que eles são a própria ameaça.
No domingo dia 16, dois homens identificados como Matheus e Eduardo, ambos bolsonaristas, agrediram um grupo de militantes que fazia panfletagem da campanha de Lula e lanchavam em uma lanchonete no setor Bueno em Goiânia, Goiás.
Antes disso, no dia 12, outro grupo invadiu a igreja de Aparecida do Norte, SP, exigindo que o sino parasse de tocar no campanário porque atrapalhava a manifestação deles pró-mito do lado de fora da Basílica.
Engrossando o caldo cultural, um grupo desses fascistas agrediu verbalmente o Cardeal de São Paulo D. Odílo Schere, porque estava usando suas vestes oficiais, que são vermelhas.
Também, no sábado dia 15, a paróquia de São Mateus, distante 150 km de Curitiba, foi invadida e teve 28 imagens sacras destruídas por um homem que se identificou como seguidor do mito, ato que levou o bispo dom Walter Jorge a fazer um alerta contra a violência religiosa.
A sequência de atos terroristas praticados por fanáticos religiosos evangélicos, racistas, todos seguidores do mito Bolsonaro, incentivados pelo presidente cessante e seus filhos criminosos estão criando um clima de “talibanização” por parte dessa gente perigosa que está disposta a tudo para não ser derrotada nas urnas.
Os ataques há muito já se tornaram fora de controle como nos casos da sede do PT em Cosme Velho no Rio de Janeiro e os ataques racistas contra o cantor Seu Jorge num clube gaúcho, o Clube Grêmio Náutico União de Porto Alegre no sábado, 15 de outubro e em São Paulo, num condomínio na Barra Funda contra o humorista e influencer Eddyjunior.
Todo o clima de terror que está imperando encontra eco na divulgação distorcida e desfocada de grande parte da mídia patronal que faz críticas localizadas a Jair Bolsonaro, mas, não associa como deveria, como sendo consequência da massificação do ódio e da violência e do avanço do fascismo no dia a dia da vida brasileira.
Esta concepção jornalística de uma coisa não ter nada a ver com a outra, foi muito demonstrada nas análises e comentários dos jornalistas, cronistas e repórteres do sistema Globo, frente aos acontecimentos futebolísticos do último final de semana nos estádios da Ilha do Retiro em Recife e no Castelão em Fortaleza, quando aconteceram invasões de campo comas torcidas do Sport e Ceará promovendo arruaças a valer, tudo muito condenável e sem atenuantes.
Porém os fatos gravíssimos foram tratados apenas como explosões condenáveis das torcidas, sem a menor referência ao fato de que a violência generalizada propagada, difundida e incentivada como arma ideológica do governo fascista e militarizado de Jair Bolsonaro é o grande vetor que os impulsiona e deveria ter sido associado a todas as condenações feitas pelos profissionais da mídia esportiva; e não foram.
É preciso associar a violência em qualquer canto como uma arma perigosa para justificar o assanhamento golpista militar que está muito vivo.
Todos devem lembrar que o ministério da defesa comandado por um general do exército, perturbou o quanto quis o ambiente político exigindo o direito de fazer uma auditoria paralela em urnas eleitorais para atestar, ou não, a validade delas. Depois do 1ºturno e sob a cobrança do presidente do TSE, o ministro da defesa responde que não tem relatório; fala sério?
O apelo que necessita ser feito é; você que é negro, católico, pacífico, democrata, que é de grupo LGBTQIA + e quer um futuro de paz para sua família, seus filhos e netos, vai se deixar levar pela enxurrada de mentiras que fomentam o ódio e só beneficiam a família de Bolsonaro e seus comparsas milicianos? Que cidadão e cidadã são vocês? Por favor, reajam agora ou será tarde demais; depois do dia 30, não terá outra oportunidade.
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político.

