Assédio eleitoral em Sergipe

O voto de cabresto ainda povoa o imaginário dos reacionários de plantão. Não há como chegar a outra conclusão, ante os relatos de assédio eleitoral em ambiente de trabalho, no rastro da campanha para a presidência da República, ainda em curso. Em Sergipe, pelo menos oito denúncias motivaram inquérito, visando a apuração do crime.
Sim, trata-se aqui de um crime tipificado. Segundo o Ministério Público do Trabalho, qualquer postura do empregador que busque coagir, ameaçar, influenciar indevidamente seu funcionário em favor do candidato A ou B, pode configurar uma situação de assédio eleitoral.
O Jornal do Dia lembra mais uma vez que o voto de cabresto é incompatível com a tecnologia das urnas eletrônicas. Ainda assim, empresários inescrupulosos, inconformados com o princípio da igualdade resguardado pelas democracias mais sólidas – regime no qual todos os votos têm o mesmo valor, independente da classe social de quem o digita na urna, resguardado pelo sigilo -, têm assediado seus empregados a fim de os ameaçar com o olho da rua, caso o presidente Bolsonaro não obtenha êxito em seu projeto de reeleição.
A prática é intolerável. O assédio eleitoral, convém sublinhar, rescende a um passado lamentável, de atraso e arbítrio. Nas palavras do ministro Alexandre de Moraes, presidente da corte eleitoral: “Não é possível que, em pleno século 21, se pretenda coagir o empregado em relação ao seu voto”.

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