Saumíneo Nascimento
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Na metade do Século XVI Sergipe era uma área pouco povoada e possuía limitadas atividades econômicas, a exemplo da pecuária extensiva, o cultivo de algumas lavouras de subsistência (mandioca, feijão e milho) e cultivos que auxiliavam à cultura canavieira da Bahia.
Antes da emancipação política, o território de Sergipe foi alvo de disputas entre portugueses e holandeses. Após a passagem destas disputas, Sergipe evolui economicamente com a construção de engenho de açúcar e maior integração com o comércio colonial.
Com a evolução das atividades produtivas, especialmente nos férteis vales sergipanos, em 1802, Sergipe alcançou 140 engenhos de açúcar e 20 alambiques para destilação de álcool. Portanto a base econômica de Sergipe no período que antecede a sua independência é a cana de açúcar. Neste período, os produtos vendidos no comércio sergipano eram comprados na Bahia.
Mas não era somente açúcar que Sergipe produzia e enviava para outros estados do Brasil, tinha-se também, algodão, cereais, fumo, cereais e diversos animais vinculados à atividade pecuária. Além disso, existiam muitos sítios que cultivavam cana para os engenhos e outros produtos de subsistência.
Um produto que Sergipe foi destaque no período de sua independência foi o algodão. Sergipe foi um importante vendedor da cultura algodoeira no início do Século XIX. De 1838 a 1860, o algodão passou a ser a cultura mais rentável da província.
Registre-se que no Século XVIII, comerciantes de algodão construíram fábricas têxteis em Sergipe, e estas por sua vez, criaram demandas por algodão. A primeira fábrica de tecidos de algodão em Sergipe, foi a Sergipe Industrial em 1884.
Quando a Carta-Régia de 28 de julho de 1808 dividiu as Capitanias da Colônia em Capitanias Portos-Francos e Portos-Secos, criando nas primeiras as juntas da Fazenda, ficando Sergipe classificado como Porto-Seco. Porém, a Lei de 1823 que estabeleceu os direitos nacionais dos gêneros de exportação foi cobrada nas Juntas Portos-Francos. Dessa forma, Sergipe, mesmo possuindo sua Junta de Fazenda, teve de ficar na dependência da Bahia para a arrecadação de direitos dos gêneros exportados pela província, prejudicando as finanças locais. Esta situação foi resolvida em 1854. Ao mesmo tempo, o Governo da Província buscou criar condições para um comércio externo independente da Bahia.
Um fato antecedente à emancipação política de Sergipe é a Revolução Pernambucana (1817) que tinha como objetivo tornar o Brasil independente de Portugal. O movimento teve a adesão de outras províncias como Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, que como Pernambuco, estavam descontentes com a dominação portuguesa. Mas Sergipe ficou do lado da monarquia que, ao sair vitoriosa do conflito, como reconhecimento, buscou decretar a emancipação do território em 1820 e nomear um governador para a província.
Do ponto de vista político, 8 de julho de 1820 é a data da emancipação de Sergipe da Bahia. Nesta data é criada a Capitania de Sergipe Del Rey. Foi o Rei D. João VI quem assinou o decreto e nomeou Carlos César Burlamaqui, o primeiro Governador de Sergipe.
Anualmente a cada 8 de julho Sergipe faz aniversário, são passados 203 anos de emancipação.
A desvinculação de Sergipe da Bahia não agradou os líderes baianos, especialmente os senhores de engenho, que perderam uma importante fonte de suprimentos de matérias-primas.
A Emancipação Política de Sergipe também influenciou a economia local. Com a independência, criou-se um novo estímulo para que os empreendedores locais diminuíssem a dependência em relação à Bahia, especificamente a capital, Salvador, e iniciassem um processo de desenvolvimento econômico local.
Mesmo que tardiamente, várias casas comerciais começaram a surgir em Sergipe, em algumas cidades do interior, a exemplo de Maruim. Registre-se que a produção de açúcar de Sergipe começou a ser direcionada para o Rio de Janeiro, ficando menos dependente das compras da Bahia. Havia uma reclamação generalizada dos elevados juros cobrados pelos comerciantes baianos. Além disso, eles exigiam receber em consignação, a produção dos proprietários de terras de Sergipe. Era uma grande subordinação do comércio de Sergipe ao comércio da Bahia.
Este movimento de desvinculação da Bahia foi seguido pela necessidade de criação de instituições financeiras que apoiassem o desenvolvimento da economia da Província de Sergipe. Havia efetivamente a carência de entidades que pudessem apoiar com recursos financeiros às demandas dos empreendedores rurais da época e não havia disposição pública e nem privada para a criação de instituições de crédito.
O significado econômico do 8 de julho de 1820 ainda ecoa por Sergipe que busca ampliar as suas condições de crescimento econômico que possa viabilizar melhor qualidade de vida para a população local. Este território que foi conquistado em 1590 por Cristóvão de Barros e, desde aquela época ficou subordinado à Bahia durante mais de dois séculos, na condição de capitania subalterna, que abastecia a Bahia com produção agropecuária, em sistema de forte dependência, hoje é um estado próspero e que mesmo com muitos desafios, propicia possibilidade de futuro para muita gente!


