A extrema-direita ainda respira o Consenso de Washington

* Rômulo Rodrigues

Parece que foi ontem, mas foi em novembro de 1989 que numa reunião em Washington D.C. que a tese do famigerado consenso foi exposta, no governo Ronald Reagan, e logo adotada e aplaudida pela nata do capitalismo ocidental, começou a ser aplicada, seletivamente, como política monetária oficial do Fundo Monetário Internacional, FMI, como receita para promover o ajustamento macroeconômico dos países ditos em desenvolvimento e o Brasil já era a cereja do bolo e pelo domínio da cultura dos povos alvos.

A receita básica para sufocar as economias dos países alvos era que a Década de 1980 fora perdida, devido aos baixos crescimentos dos PIB’S, com inflação nas alturas e, portanto, já não caberiam no mundo futuro, se não se subordinassem aos ditames do Fundo Monetário Internacional.

Dentro da matriz que ambicionavam era condição inegociável que um líder sindical chamado Lula não se elegesse presidente da República do Brasil e batesse na mesa, com arrogância, dizendo: “Alto lá, aqui tem diretoria e vocês não vão roubar tudo que foi construído pelo povo e para o povo e entregar nossas riquezas aos abutres do Neoliberalismo”.

Então, esse foi o primeiro golpe dado depois da ditadura militar subserviente, cujo trabalho sujo ficou por conta de um diretor geral do complexo Globo de jornalismo que, de bom não tinha nada, e agiu para alterar o resultado do 2º turno da eleição, dando a vitória a um suposto caçador de marajás, consumando a 1ª grande farsa da autoproclamada Nova República que de nova só tinha o velho jeito de dar golpes nas instituições democráticas; já que a 1ª grande tragédia acontecera com Jânio Quadros e, a 2ª e última farsa aconteceu com Jair Bolsonaro.

Antes, em 1980, início do que seria chamada de “Era Reagan” foi elaborado o documento de Santa Fé I por um seleto grupo de ideólogos da “Nova Direita” estadunidense.

Na sequência, o grupo, em nova reunião elaborou o terrível Documento de Santa Fé II para dar a linha do governo Bush com a visão expressa de continuar a considerar a América Latina como quintal dos EUA seguindo o receituário: 1) os EUA não podem se preocupar apenas com processos democráticos formais. Precisam estabelecer programas para sustentar a democracia (dos outros) em meio à burocracia permanente; 2) Os Estados Unidos devem reconhecer a necessidade, dos governos, de modo a criar regimes democráticos, e restringir partidos antidemocráticos; 3) os Estados Unidos devem fortalecer sua capacidade de cultivar valores do regime democrático nas forças armadas da região e, com essa compreensão, o programa Internacional de Educação e Treinamento Militares, (IMET) – não seria interrompido por motivos como fracasso em pagar débitos da AID.

É nele que está identificado como construir a hegemonia da dominação, elencando a dívida fiscal, o terrorismo, as drogas, o estatismo, as ameaças comunistas, e a corrupção como os grandes desafios a serem enfrentados e combatidos, destacando que podem surgir mais estados pró soviéticos, maiores ameaças ao sistema financeiro internacional comandado pelo dólar e ascensão do narcotráfico por parte de elementos subversivos, criando as maiores possibilidades para intervenções dos EUA.

Passados 45 anos em que o mundo sofreu transformações estruturais na composição de forças e em recomposições econômicas com o surgimento do BRICS e do Novo Banco de Desenvolvimento, com o tirano Fundo Monetário Internacional quase fora de cena, o dólar já não ditando regras inquestionáveis e o Sul Global com PIB maior que a soma dos do EUA e União Europeia, eis que ressurge um louco Cauboy querendo que todos os povos que forem classificados como peles vermelhas, virem carne assada.

Que tal personagem reapareça nas terras do Tio Sam era para ser problema deles. Porém, eis que por aqui, saídos do interior dos sepulcros caiados nos aparece em forma e dimensão da 2ª farsa um excremento de capitão expulso do exército para despertar o ódio contra o Brasil, contra o povo brasileiro e contra um partido político que fez renascer na população esquecida e maltratada por 502 anos, por uma burguesia cujos discípulos acreditam que a Terra é plana e não sabem a diferença da Lei Áurea, para a Lei Rouanet e o proclama mito.

O pior, o único fenômeno sideral que acreditam é que no ciclo giratório do planeta Terra, foram os descerebrados produzidos que deslocaram o paradigma da Luta de Classes do chão da fábrica para o esgoto do parlamento.

Montados em mulas fardadas que sonham em ver uma Esquadra Estadunidense aportar na Baia da Guanabara e dar a ordem de despejo ao poder republicano e civil, com Estado Democrático de Direito azeitado em pleno funcionamento, sequer percebem que existe um curral chamado Papuda a esperá-los para provarem do capim que desejaram ser a única ração que serviram ao povo quando assaltaram o Estado brasileiro por 21 anos.

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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