* Rômulo Rodrigues
No anúncio pelo governo Trump do que será a nova doutrina de segurança nacional dos EUA, pouca gente no mundo parece ter percebido e, a chamada mídia patronal brasileira, deixou passar em brancas nuvens, o que foi percebido por pouca gente cá dentro.
O documento é uma repetição desbotada da antiga Doutrina Monroe formulada a mais de 200 anos para dominar toda a América Latina em todos os sentidos, que trocando em miúdos é o seguinte; todo e qualquer sinal interpretado como de independência no continente será considerado como uma ameaça aos interesses estadunidenses, onde o que define e comanda as ações é a política de Estado.
Antes dele e da reedição do projeto de domínio que é anunciado, no ano de 1989, um grupo de economista da nova direita elaborou um plano de intervenção econômica para países da América do Sul e da América Latina para o controle de suas economias e foi dai que surgiu o Consenso de Washington e as Cartilhas de Santa Fé I e II, que determinavam que nas economias o Deus mercado por si só as autorregulavam, que para tanto o estado tinha que ser mínimo, que tudo fosse de propriedade da iniciativa privada e que o Fundo Monetário Internacional seria o gerente financeiro das chamadas economias em desenvolvimento ou do terceiro mundo sob o manto sagrado do neoliberalismo, e ponto final.
Na sequência das intervenções dos EUA no continente a recente retomada do caminho da democracia no Brasil sofreu um golpe na campanha das Diretas-Já, onde as elites do atraso implantaram um governo indireto, aplicaram a tática das concessões com respirações dos balões de Oxigênio da Constituinte e voltaram a usar o cutelo antidemocrático no golpe do 2º turno da eleição de 1989, ali sim, traindo a vontade popular de eleger um candidato que a história está provando ser um Estadista.
A história só se repete, por assim dizer duas vezes, e a 1ª vez veio com a eleição de Jânio Quadros em 1960, uma tragédia; a 2ª veio 29 anos depois com a eleição fraudada pela Rede Globo impondo Collor de Melo em 1989 e para provar que o Brasil é um imenso laboratório para experiências malignas, os descendentes do Dr. Silvana enfiaram de goela abaixo no povo brasileiro algo em formato de gente que, até hoje, não se sabe se é um ser humano; de novo, 29 anos depois deixando cientistas políticos perplexos e sem saber se foi tragédia, farsa ou tudo junto.
Voltando ao desastre de 1989 e o consequente desgoverno Collor de Melo o povo foi obrigado a assumir seu protagonismo e ir às ruas derruba-lo com um impeachment e entregando o país ao vice-presidente Itamar Franco que deixou como legado um pacto entre a burguesia criando o Plano Real, achatando a massa salarial dos trabalhadores em 275% e elegendo o falso social democrata Fernando Henrique Cardoso para desencadear a privataria tucana, o mais sofisticado sistema de corrupção e desmonte da economia estatal do país que não tem comparativo na história do país.
Passado todo o período macabro, a esperança venceu o medo e em 2002 com a força do povo e enfrentando todo tipo de mentiras e amedrontamentos praticados pela mídia patronal, o candidato da Frente Brasil Popular vence e, logo em 2003 fez o Brasil se mostrar ao mundo dizendo: acabou o recreio e daqui para frente vão ser aplicadas as provas finais para valer.
Mas, eis então que, oriundo lá das terras do Tio Sam veio o alerta de perigo que a experiência de um Brasil gigante estava indo longe demais e foi dado o golpe de 2016, com a montagem e toda logística no vácuo das jornadas de junho de 2013, cujo pano de fundo foi o aumento das passagens de ônibus metrôs na cidade de São Paulo, que nunca foram baixadas.
Os patrocinadores do golpismo logo viram que as jornadas e principalmente a operação lava jato seriam um laboratório ideal para uma pinochetização do Brasil e acabar com a PEC 37 que foi enterrada durante e após os dois processos.
No momento em que a Polícia Federal está investigando lá na vara de Curitiba onde Sergio Moro exerceu o seu reinado, o presidente do senado Davi Alcolumbre e da câmara Hugo Mota jogam combustíveis nas fogueiras acesas nas duas casas pelos golpistas das bancadas do Boi, da Bíblia e da Bala, para cometerem um crime regimental contra o deputado federal do PSOL Glauber Braga e votam um simulacro de PEC da dosimetria, em total e acintoso desrespeito ao Supremo Tribunal Federal, na tentativa de estabelecer um caos político institucional e desestabilizar o país.
Dentro dos festejos de Natal e da virada do ano, a sociedade civil organizada não pode e não deve dormir no ponto e deixar que a malta de traidores golpistas, fascistas de extrema direita, se aproveitem para acumular forças entre os descerebrados e incendiar o país com ataques ao governo federal e às instituições que são as salvaguardas da democracia.
Então, a música para embalar todas as festividades tem que ser o samba dos Acadêmicos de Niterói e as palavras de ordem são congresso inimigo do povo acrescida de; Fora Alcolumbre e Fora Hugo Mota.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


