El Niño e agricultura

Excesso de precipitação, ondas de calor, geadas, tempestades e incêndios atingem de forma impiedosa as cadeias produtivas agrícolas

* Manoel Moacir Costa Macêdo

A agricultura é uma atividade de risco. Ela depende das reações da natureza. Clima, solo e água são essenciais ao processo produtivo. Fatores naturais de produção são finitos e exigem cuidados à desejada perenidade. Os humanos na evolução da espécie, ao invés de conservar a natureza, destroem o ambiente onde vivem e consomem os meios de sua sobrevivência.
O processo linear de produção agropecuária centrado na produção e produtividade das lavouras e criações, ameaça o equilíbrio de produzir com sustentabilidade. Predomina o desmatamento criminoso das florestas, a contaminação dos mananciais aquíferos e a poluição da atmosfera. Receituário que ameaça a sobrevivência das criaturas viventes na Terra.
A natureza pede socorro. Lucro e acumulação cegam e anestesiam a consciência humana. A produção agropecuária não escuta as dores e sofreres dos biomas e ecossistemas. As mudanças climáticas e os eventos climáticos extremos como enchentes, secas, furacões, tsunamis e aquecimento global, estão presentes com fúria no viver.
O El Niño, é uma dessas expressões. Os seus efeitos prejudicam as criaturas, o ambiente e a produção agropecuária. Chuva acima da média histórica. Excesso de precipitação, ondas de calor, geadas, tempestades e incêndios atingem de forma impiedosa as cadeias produtivas agrícolas. No dizer de um especialista: “À medida que a atividade humana aquece a Terra, o El Niño torna-se mais violento”. A ciência nem sempre é ouvida. As suas entregas são questionadas pelo inexplicável negacionismo.

A EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, “entregou ao MAPA – Ministério da Agricultura e Pecuária, medidas que podem ser adotadas na agropecuária brasileira com o objetivo de reduzir riscos de perdas causadas pelo clima e ações permanentes para gestão de riscos climáticos”. Algumas são transversais ao setor agropecuário, outras específicas por segmento produtivo e apoiam os programas de política pública.
Destaque para o ZARC – Zoneamento Agrícola de Risco Climático, que respalda com resultados de pesquisa, “onde, quando, como e o quê produzir”. Instruções permanentes para antecipar, monitorar e responder de forma organizada as mudanças climáticas. Elas alcançam as diversas dimensões temporais e incluem o monitoramento meteorológico, diversificação espacial e temporal da produção agrícola e adoção do ILPF – Integração Lavoura-Pecuária-Floresta.
Isso significa antecipar, monitorar e responder de forma organizada as secas, calor e excesso de precipitação, entre outras expressões das mudanças climáticas. Produzir, mas com sustentabilidade.

* Manoel Moacir Costa Macêdo é engenheiro agrônomo e advogado.

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