A disputa pelo Senado

Com 54 cadeiras em jogo, composição do Senado será decisiva para a correlação de forças no Congresso e para os rumos do próximo governo

* Luciano Siqueira

Óbvio que no próximo domingo 4 de outubro, a conquista da Presidência da República é crucial e prioritária.
Como acentua o PCdoB, em Manifesto lançado às vésperas da campanha, o possível próximo mandato do presidente poderá abrir a possibilidade de um ciclo de crescimento econômico associado à geração de empregos qualificados, tendo como fatores essenciais a ciência, a inovação, a transição energética e tecnologias digitais.
E um acúmulo de forças que viabilize reformas estruturais indispensáveis ao desenvoilvimento soberano, democrático e socialmente avançado.
Isto na contramaré da onda conservadora e de direita, que varre o mundo ocidental e o subcontinente sulamericano, em particular.
Mas há uma pedra no caminho: a correlação de forças no parlamento – no Senado em especial.
Daí a direita e o centro conservador acomodados em grandes legendas (PP, União Brasil, Republicanos) se eximirem de apoios formais às candidaturas à Presidência da República, liberando suas seções estaduais para variadas alianças na busca de mais cadeiras na chamada Câmara Alta.
Tudo a ver com a perspectiva de controle relativo sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e com permanente chantagem sobre o governo.
Como se sabe, é o Senado que aprova, ou não, nomes para o Supremo Tribunal Federal (STF) e julga pedidos de impeachment de seus ministros.
Agora, na reta final da campanha, das 54 cadeiras em disputa – dois terços da composição atual – estima-se, com base em pesquisas disponíveis, que a renovação das bancadas possa alcançar 40%.
Porém não exatamente uma renovação de caráter progressista.
Na disputa do voto, as diferenças se fazem tênues e nebulosas ao olhar do eleitor comum.
O clientelismo, hoje reforçado pelo sistema de emendas parlamentares, em grande parte à margem da lei, segue como um dos fatores de “incoerência espontânea” de parcela majoritária do eleitorado.
O eleitor vota em Lula, mas escolhe senadores e deputados federais de legendas oposicionistas.
Tanto que nas três vitórias do atual presidente e nas duas da presidente Dilma, jamais as forças progressistas alcançaram maioria no Senado e na Câmara.
Portanto, um desafio irrecusável das correntes de esquerda e progressistas, em indissociável vinculação com a reeleição do presidente Lula.
Que nessa reta final e decisiva, nos inspiremos em Guimarães Rosa: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

* Luciano Siqueira, médico, membro do Comitê Central do PCdoB e secretário nacional de Relações Institucionais, Gestão e Políticas Públicas do partido, foi deputado estadual em Pernambuco e vice-prefeito do Recife.

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