Manoel Moacir Costa Macêdo
Último artigo da série sobre a história da agricultura no Estado de Sergipe. Transcritos da obra “História da Agricultura em Sergipe 1860 – 1968”, da lavra do engenheiro agrônomo José Belém de Carvalho, de tradicional família rural sergipana. Nasceu no município de Riachuelo, filho de José Antonino de Carvalho e Mariana Belém de Carvalho. Engenheiro agrônomo pela Centenária Escola Agrícola da Bahia, em Cruz das Almas, na década de quarenta.
Os registros não seguem metodologias e nem cronologias. Eles são seletivos e livres de arranjos científicos. Fatos do passado vinculados ao presente e o futuro. Alguns são curiosidades dos Séculos XIX e XX, mas expressam o padrão da sociedade. Na época, uma agropecuária escravocrata e carente de tecnologia, mas com profundas inserções sociais, econômicas e políticas. Eles mostram a histórica captura do Estado pelos bem-nascidos e descendentes de famílias tradicionais nas funções públicas da agropecuária sergipana.
1. 1919. O agrônomo Euller Coelho iniciou as suas atividades nas organizações públicas agrícolas estaduais. Ocupou várias posições de poder por mais de três décadas. Iniciou como nomeado em 1919 como Diretor do Centro Agrícola ao Patrimônio do Estado e terminou em 1947 como “chefe da Seção Fomento Agrícola” [as suas influências não estão expressas em parentesco de famílias tradicionais, exceto se por casamento ou poder econômico].
2. 1933. “Sergipe compareceu com mostruário na exposição Feira, realizada na Capital paulista, sendo a Comissão de Seleção dos produtos compostos dos Srs Sabino José Ribeiro, Camillo de Callazans e Dr. Heitor Airlie Tavares” [o primeiro, um pioneiro na indústria sergipana e lembrado com o nome no Estádio de Futebol do Clube Confiança e o segundo, possível tradicional homônimo de influente e contemporâneo executivo dos importantes Banco do Brasil e do Banco do Nordeste];
3. 1955. Por Portaria Ministerial, foram nomeados os agrônomos José Passos Porto e José da Glória Garcez, respectivamente chefes da Inspetoria Regional Fomento Agrícola e Executor de Acordo e da Agência do DPA [o primeiro político de relevância estadual, sendo Senador por vários mandatos e o segundo oriundo de família tradicional sergipana, um dos seus membros foi governador de Sergipe];
4. 1935 e 1941 o agrônomo Wanderley, foi Chefe do Campo de Sementes de Coco e responsável pela transferência da Estação Experimental de Quissamã ao Instituto de Experimentação Agrícola [agrônomo de destaque estadual, presente nos relevantes marcos da história da pesquisa agropecuária no Estado de Sergipe];
5. Marcelo Albuquerque Maciel “foi nomeado em 1959, 1961 e 1965, respectivamente chefe da Estação Experimental de Aracaju, do IRFA e Executor do Acordo e do ADPA” [agrônomo, filho do poderoso governador de Estado de Sergipe e com expressão nacional Leandro Maynard Maciel];
6. 1950. 05 de julho, na Granja Pedro 2º, houve a primeira reunião e aprovação dos Estatutos da Associação Sergipana e Agronomia (ASA) cuja fundação efetuou-se a 4 de agosto de 1950 [origem da atual AEASE – Associação dos Engenheiros Agrônomos de Sergipe];
7. 1985. O último registro na obra aqui referenciada, destaca o “agrônomo Sergio Santana, para o cargo de Delegado Federal de Agricultura” [profissional de referência estadual na agricultura sergipana em variadas dimensões, estando ainda presente na Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca – SEAGRI].
* Manoel Moacir Costa Macêdo é engenheiro agrônomo e advogado.

