* Luciano Correia
O resultado do primeiro turno e o medo de retrocessos desastrosos para a maioria da população disparou o gatilho da reação. Desde a segunda feira pós eleição, o país que apoia Lula acordou para manifestações de rua e para a guerra nas redes digitais, território onde apanhava feio há vários anos. A explicação para a extrema-direita dominar totalmente as redes e a incapacidade da esquerda e progressistas em construir suas linguagens não deve nos ocupar por agora.
A autocrítica e o mea-culpa pela sucessão de erros tampouco é para este momento. Por exemplo: saber porque o coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, depois de fazer quase tudo errado, ainda deixou a campanha sem material é um enigma para historiadores do futuro. Em alguns rincões, pessoas se cotizavam para encomendar bandeiras. Imagine se não houvesse fundo partidário, hein, Edinho?
Mas o que está em jogo agora não é o julgamento de petistas aloprados, mas, como bem diz o candidato, a sobrevivência do processo civilizatório. Nós, mesmo os que que não amavam a revolução, temos o medo como ameaça real e a luta como única opção. Que os “hegemonistas” do PT nunca esqueçam: fomos nós, o povo organizado numa frente ampla e heterogênea, que elegemos Lula em 2022. Somos nós novamente que derrotaremos o fascismo.
As ressalvas aqui levantadas não pretendem abrir feridas, mas, ao contrário, oferecer uma atitude pedagógica para que a intolerância não nos empurre para uma derrota. O discurso intoxicado do identitarismo, por exemplo, precisa brandir chavões e insultos para seguir vivo. A prova disso foi o estouro de candidatos(as) identitários(as) em Minas, São Paulo e Rio, do Psol ou do próprio PT.
Apesar das votações expressivas, a quantidade de votos não pode ser o único critério, afinal, todos eles falam unicamente para suas bolhas. Ignoram, por desconhecimento, ignorância e desprezo, quem não faz parte da patota.
Desses preconceitos e da capacidade de fustigar adversários pregando a plaquinha de fascistas e coisas que tais, surge a virulência repulsiva que sedimentou no país uma onda antipetista. Da mesma forma que bolsonaristas implacáveis e agressivos, reproduzem comportamentos semelhantes, na mesma direção, mas com sinal invertido. Dito tudo isso, é correr para as batalhas, ganhar a opinião pública pela inteligência e entrar de forma irreversível nas rotinas das redes digitais. Vamos ganhar a eleição. Lula é o timoneiro para nos conduzir em paz e promover a conciliação. E a conta com petistas, identitários e intolerantes se resolve depois.
* Luciano Correia, jornalista, é professor da UFS

