Rômulo Rodrigues
Da mesma forma, inexiste no futebol. Dois exemplos que parecem marcantes: a final da copa do mundo de 1950, no Maracanã, em que o Brasil, favoritíssimo, jogando pelo empate, abriu o placar e tomou uma virada humilhante e o jogo contra a Itália, na Espanha, em que também jogava pelo empate e tomou um 3×2, inesperado até pelos italianos.
Faz bem aos espíritos e às mentes dos que se julgam superiores, dentro da esquerda, lembrar que na arrancada do segundo turno de 1989, Lula foi comendo Collor pelas beiradas e chegou ao debate final como franco favorito, mas nas edições do debate, filtrado e massificado pela Rede Globo, o WAR daquela eleição, viu o jogo virar em 48 horas.
Depois, em dezembro de 1993, a euforia voltou a tomar conta dos corações petistas e era tida como certa a vitória em 1994, contra qualquer adversário.
Aí, veio o Plano Cruzado como grande pacto das elites, e garantiu duas eleições seguidas ao tucanato, ao mercado e ao infernal pefelê do babalorixá-mor da Bahia, Toninho Malvadeza.
Amadurecido, o povo brasileiro deu sinais de despertar, apostou nele mesmo e deu 4 vitórias seguidas ao campo progressista, comandado pelo Partido dos Trabalhadores.
Só que a direita, o mercado e os alinhados com os EUA, o partido midiático e o partido militar, não se dão ao luxo do descanso e enquanto não anexarem de vez o país chamado Brasil, como um território da América do Norte, não terão cumprido suas missões.
O ano de 2022 é decisivo para os planos dos traidores da pátria e só, e somente só, a vitória de Lula no primeiro turno, poderá impedi-los de cometerem a suprema traição.
É comum e digno de respeito que o ser humano tenha ambições, certezas e ímpetos para lutar pelos seus ideais; o que não pode é colocar seu projeto pessoal acima de um projeto muito maior, e melhor para todos.
A teimosia nunca foi boa conselheira, até porque, diz a sabedoria popular que: “Teimosia com prejuízo, só tem quem não tem juízo”.
A conjuntura que deve se estender até 2 de outubro exige equilíbrio, renúncia e compromisso com o projeto patriótico de soberania nacional.
Não é prudente tolerar quem coloque qualquer obstáculo para dificultar o imperativo maior da eleição de Lula no primeiro turno.
Não é uma mera questão de voto útil, é o mais puro compromisso com a estabilidade democrática, porque o segundo turno não haverá porque as forças do atraso não deixarão que se realize.
Caso a eleição vá para o segundo turno, mesmo que seja por 1 ou 2 votos, encerrada a apuração e divulgado o resultado, a campanha que será desencadeada e massificada será de que o projeto do PT foi derrotado em primeiro turno e deverá ser rechaçado no segundo turno.
Eles terão 27 dias de jornalismo fascista e ações violentas nas ruas para reverter qualquer diferença que tenha sido obtida por Lula em relação ao segundo colocado, mesmo superior a 20%.
Será um erro crasso se deixar contaminar por números de pesquisas, com comprovados métodos de manipulação, e não se precaver organizando milhares de comitês e brigadas para se transformarem em verdadeiras barricadas contra a ofensiva fascista em andamento.
Não dá para ficar em clima de euforia, ou de passividade, esperando passar o trem da vitória, que pode não vir com os votos necessários.
Jair Bolsonaro tem uma estratégia fascista bem definida. Armar com o ódio seus seguidores e mantê-los em armas para quando for necessário provocar confrontos violentos.
Desde quando exaltou o coronel torturador Brilhante Ustra naquela tarde de domingo de abril de 2016, dentro da câmara dos deputados e não saiu preso em flagrante, ele sabe que pode continuar praticando o mesmo tipo de crime e não ser importunado.
Agora mesmo, na posse de um ex-ministro da ditadura militar para diretor da Usina Itaipu, aproveitou para exaltar os generais brasileiros Ernesto Geisel e Garrastazu Médici e o paraguaio Alfredo Stroessner que autorizaram em seus governos matanças generalizadas de opositores.
O atual governo militar e militarizado, tem dezenas de generais com salários acima de R$ 100 mil, que só poderão ser removidos se foram derrotados no primeiro turno.
Portanto, brincar de fazer política desprezando esse cenário, é infantilidade.
Ter maturidade é olhar para frente e mirar-se nos exemplos daqueles homens de Pernambuco e São Paulo e ter paciência para esperar qual a geringonça fabricada até 31 de maio.
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


