O poder público sergipano se comporta, por vezes, como o fole de uma sanfona cansada. Na gestão da pandemia ainda em curso, por exemplo, avanços e recuos inesperados são constantes. Entre idas e vindas, fica a impressão de que as decisões impostas por força de decreto pecam por falta de precisão, são tomadas de improviso.
Ontem o governador Belivaldo Chagas voltou atrás mais uma vez, acompanhado de bate pronto pelo prefeito Edvaldo Nogueira. Depois de cancelar o ponto facultativo no período de Carnaval, ele não viu mal algum em suspender o expediente nas autarquias e repartições que compõem a administração estadual.
A justificativa apresentada pelo governador não convence. Segundo ele, o recuo no número de novos casos autoriza o feriado prolongado, em atenção ao clamor do funcionalismo. O argumento é frágil. Por essa lógica, os servidores estaduais, em particular, e todos os sergipanos, por extensão, podem aglomerar à vontade, sem maiores preocupações com o contágio por covid-19, sem medo de ser feliz.
Quem tiver juízo vai ignorar a janela aberta para o vírus pelo governo de Sergipe. De fato, a pandemia dá sinais de ter arrefecido um pouco, ao longo dos últimos dias. Novos casos, internações e óbitos descrevem uma curva descendente. Mas o quadro aqui descrito ainda não é estável, o vírus não demonstra grande consideração pelas estatísticas. O seguro morreu de velho. Tudo o que ninguém precisa agora é de uma nova onde de covid, estimulada pela folia.

