Em sua última noite, a Feira de Sergipe apresentou em seu palco, este domingo, parte da riqueza cultural da cidade de Laranjeiras. Os componentes do Samba de Pareia e do Grupo São Gonçalo do Amarante, ambos do povoado Mussuca cantaram, dançaram e encantaram o público.
A cidade de Laranjeiras guarda muito da diversidade folclórica sergipana. Lá, há séculos, existem muitos grupos que resistem à indústria cultura. Eles também conseguem manter a tradição dos negros.
São Gonçalo do Amarante – O grupo formado por homens é conduzido por um ‘mestre’ tocador de viola, um ‘contra-mestre’ que toca a ‘meia-cuia’ e dois guias. A dança é executada em nove rodas, divididas em treze partes apresentando coreografias diferenciadas. O grupo dança em festas religiosas e pagamento de promessas.
Segundo a lenda, a dança acontece em homenagem a São Gonçalo do Amarante, que teria sido um marinheiro que livrou muitas mulheres da prostituição através da música alegre que fazia com a viola.
Samba de Pareia – Formado por 24 integrantes, sendo que apenas três são homens, que são os instrumentistas. O grupo existe há tanto tempo, que nem se conta mais os anos. Segundo a líder do grupo, Dona Nadir, 65 anos, o samba de pareia existe desde a época da escravidão. "Herdei o grupo dos meus pais, que herdaram dos pais deles e assim não se sabe mais quantos anos tem", conta.
Historiadores contam que o samba de pareia surgiu há mais de 300 anos, quando os escravos usavam o escasso tempo de descanso do trabalho nos canaviais para dançar o samba em duplas. Séculos depois, os remanescentes de quilombolas do povoado Mussuca, em Laranjeiras, fazem o seu papel para não deixar morrer essa tradição secular. O samba é uma manifestação de canto e dança de origem africana, brincada nos terreiros das casas grandes, para amenizar o trabalho. A indumentária é colorida e simples. O chapéu de palha é utilizado como adereço.


