A guerra no Brasil é entre a soberania e o ridículo

* Rômulo Rodrigues

É exatamente nesse ponto que faz lembrar o gênio do teatro do absurdo Eugénio Ionesco com destaque para a peça O Rinoceronte; obra grande demais para um espaço tão minúsculo e uma realidade tão atual e caracterizada no 1º Ato que singelamente; é arte demais para um momento de tamanha mediocridade onde uma parcela destoante de uma sociedade sem identidade tem como essência de viver, atacar a arte e quem com ela e por ela se inspira, trabalha e aprecia.

E o modo escárnio foi acionado e formatado por um bando de gente unida pelo ódio e pasmem, como expressão maior de suas faltas de bom senso ser capaz de enxergar como ato político, coisa que com certeza nunca valerá uma nação e tão pouco um samba enredo.

Para atingir seu propósito satânico a extrema direita evoca Deus, a Família e a Liberdade e aproveita qualquer vacilo dos que evocam o Estado Democrático de Direito para instalar o caos como fez o aprendiz de terrorista Nikólas Ferreira com seu bando de inocentes úteis misturados com delinquentes profissionais.

Um gesto aterrorizante que definiu a tática central dessa gente consistiu em o MBL, que hoje está organizado em um partido político chamado de A Missão, demarcado como o núcleo mais orgânico do Fascismo, que destacou um dos seus quadros qualificados para jogar sal grosso em frente à casa onde nasceu a criança Lula, blasfemando que era para que ali, jamais nascesse outra criança que, com sua resistência e resiliência conseguiu inverter o sentido de rotação do eixo da história.

E que outro menino predestinado como tantos outros meninos, chamados Severino, a morrer de fome pegasse sustança na coragem de uma mãe em desespero a carregar sua penca de filhos por 13 dias e13 noites na dureza de um Pau de Arara para São Paulo e ensiná-lo que lutar sempre e desistir jamais e o guiou para o chão da fábrica onde virou líder sindical, líder político da classe trabalhadora, presidente do seu país e estadista do mundo.

O desespero dos insanos chegou ao nível de delírio de crer que um temporal com raios previstos e possíveis viesse encontrá-los no trajeto por onde passava o rebanho bovino em forma de gente ou, um punhado de gente em forma de gado, foi uma armação da esquerda para impedir uma marcha sem rumo e sem direção, em busca do que eles não sabiam, não sabem e não saberão.

A massa amorfa que nem de longe sabia por que marchava nem foi capaz de entender que das 72 pessoas atingidas pela descarga elétrica, nenhuma era o líder que buscava ser beneficiado pelo acobertamento dos seus crimes nas corrupções dos aposentados do INSS, da roubalheira do Banco Master e dos crimes de lavagem de dinheiro patrocinados pelo seu partido PL atolado até o pescoço nas maracutaias da igreja Lagoinha onde estão encalacrados Nikolas Ferreira, Vorcaro e seu cunhado Zettel.

O castigo que veio em forma de tempestade pode ter sido a punição merecida aos que vivem de usar o nome de Deus em vão.

O contraponto mais surpreendente do episódio foi a descoberta de que a pessoa mais sensata no meio dessa gente tão insana sem nenhum valor acabou sendo a ex-terceira dama Michelle Bolsonaro quando chamou o feito à ordem dizendo: chega, acabou a palhaçada, vão todos para casa que é lugar quente.

Entretanto, as marcas do ridículo foram deixadas que nem tatuagens de chineladas Havaianas lá em Santa Catarina onde se concentra o maior número de prefeitos presos por corrupção, onde o governador Jorginho Melo do PL promulgou uma lei ao arrepio da Constituição Federal, proibindo a aplicação de quotas raciais em todo seu território, inclusive, nas Universidades Federais e Institutos Técnicos Federais de Educação, bem visível no produto do seu reacionarismo no crime praticado por 4 crianças brancas contra o inofensivo cachorro Orelha, todos impunes por serem filhos de gente do bem e o que recebeu a única punição do grupo foi mandado passear na Disney, para não sofrer algum abalo psicológico.

O apoio incondicional dado pela grande mídia a casos que choca o mundo, mas não os choca é o retorno à ribalta da telinha da Globo da jornalista ativista Malu Gaspar como porta-voz dos irmãos Marinho, disparando sua artilharia pesada contra a esposa do ministro Alexandre de Moraes, como tática defensiva para que os disparos das investigações a cargo da Polícia Federal não cheguem perto de abalarem o sossego dos seus patrões que estão cada vez mais perto de sucumbirem nas crateras abertas de onde jorra a podridão da avenida Farias Lima revelando o esconderijo dos seus interesses escusos que, tem quem suspeite, interligados com o PCC e o CV, na guarda do dinheiro que falta no dia a dia dos negócios das feiras livres, dormindo em berços esplêndidos dos criminosos da especulação.

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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