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A PESCARIA


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Publicado em 02 de fevereiro de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Lelê Teles

Os Bolsonaro saíram pra pescar, em plena segunda-feira, às seis e pouco da matina.
Veja você.
E foram em cardume, num comboio naval que incluiu um barco e duas motos aquáticas.
Por que tão cedo?, perguntavam uns desconfiados curiosos.
Ora, todos sabemos, desde os bíblicos tempos, que a madruga é o melhor horário para a pescaria.
Os peixinhos, vulneráveis porque ainda insones, espreguiçam-se, bocejam e, depois de escovarem os dentes, saem em busca do café da manhã.
É espetar uma minhoca na ponta do anzol, botar um cigarrim de palha no canto da boca e esperar a fisgada.
Nesse meio tempo, aprecia-se o silêncio marulhento daquela imensidão azul,
Ouve-se o alarido das gaivotas a esfregar as asas no vento,
Avista-se uma gigante jubarte a passear com um filhote,
Fotografa-se um golfinho rotador dando acrobáticos giros no ar.
É silêncio, solidão e cerveja.
Mas veja como é ilusória a paz do pescador de segundas-feira.
Enquanto Carluxo se distraía com uma vara na mão, os federa baculejavam o seu cafofo.
Reviravam gavetas, levantavam colchões e espremiam creme dental em busca de vestígios criminosos.
Chegaram mesmo a encontrar uma estranhíssima sacola de lingeries no quarto do cabeçorra.
Só a sacola, nada dentro.
Suspeita-se de que ali estava a farda de pescaria de carluxo.
A vara ele pode ter comprado numa sexy shop.
Pois bem, o horário, como vimos, era propício para a pescaria.
As embarcações, como se deduz, estavam equipadas com os mais modernos equipamentos para a prática de uma fashion fishing.
E o mar, como sempre, estava tranquilo e majestosamente piscoso.
Qualquer caiçara com uma humilde vara de bambu e um anzol remendado, diante de um cenário desses, não voltaria pra casa de mãos abanando.
Pois num é que os nossos diligentes pescadores chegaram à praia sem trazer um único peixe.
Uma escama, uma espinha, nada.
O que nos remete a João 21, onde lemos que Pedro e seus amiguinhos saíram para uma pescaria, “todos subiram no barco, mas naquela noite não pescaram nada”.
Há controvérsias.
As imagens sugerem que Jair trazia no ventre a mesma baleia que engolira o Jonas bíblico.
Há quem diga que isso é história de pescador.
Mas há, ainda, algo mais curioso:
Carluxo, que parece um mero, voltou da pescaria a nado, deixando o jet na casa de um bróder.
Ora, esse bracejar mar a fora levantou suspeita.
Acredita-se que a rede que os pescadores lançaram ao mar já estava cheia de peixes graúdos.
Tratou-se, portanto, de uma pescaria reversa.
O fundo do mar de angra, nesse momento, pode estar repleto de equipamentos eletrônicos.
Espera-se que um bom escafandrista, escarafunchando o pélago marinho, encontre a lan house de Carluxo nas obscuras profundezas abissais.
E que Xandão, fantasiado de poseidon, com uma barba rélvica e um tridente afiado, espete o rabo desses mitômanos vigaristas.
É chegada a hora da justiça sair pra pescar, e que não retorne mais com os bagrinhos de sempre, queremos os peixes grandes.
Palavra da salvação.

* Lelê Teles, jornalista, publicitário e roteirista

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