O Ministério Público Federal em Sergipe (MPF/SE) apresentou duas denúncias à Justiça Federal contra os seis suspeitos investigados na Operação Correios, da Polícia Federal, que investigou o furto de cargas enviadas pelo serviço Sedex a Aracaju. A quadrilha operava há pelo menos um ano e meio no Estado e causou prejuízo milionário à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) – segundo a PF, ele seria estimado em R$ 1,6 milhão. As investigações se desdobraram por cerca de três meses, com o apoio da Gerência de Segurança Patrimonial dos Correios em Sergipe.
No último dia 11 de julho, em uma ação na rodovia SE-368 (Linha Verde), entre as cidades de Estância e Indiaroba (região Sul), foram presos em flagrante os motoristas Erivaldo de Queiroz Rocha e Silvio Santos Araújo Junior, ambos de 33 anos, além do paulista Gilberto da Silva Lima, 30, apontado como líder do esquema. Uma semana depois, a PF deteve o sul-matogrossense José Robson Barreto, 40, e a irmã de Gilberto, Adriana da Silva, 34. Com ambos, foram apreendidos centenas de objetos subtraídos, como relógios, instrumentos musicais, aparelhos eletrônicos, perfumes, telefones celulares, câmeras, notebooks, CD player, tablets, brinquedos e roupas. O sexto acusado é Gilmar da Silva Passos, irmão de Adriana e Gilberto.
A denúncia do MPF acusa os seis envolvidos por formação de quadrilha, furto qualificado e lavagem de bens e valores. Gilberto Lima também foi denunciado por porte ilegal de armas, por ter sido preso em flagrante com uma arma calibre 38 e mais 51 munições. O MPF requereu ainda que as penas sejam aplicadas em grau máximo, devido ao número de furtos praticados repetidamente pela quadrilha. Somadas, as penas máximas dos crimes de formação de quadrilha, furto qualificado e lavagem de bens chegam a 21 anos.
As investigações da Polícia Federal mostraram que Silvio, Erivaldo e Gilmar trabalhavam como motoristas para as empresas Transpanorama Transportes Ltda e Ribeiro Transportes Ltda, que prestavam serviços aos Correios. No trajeto entre as cidades de Salvador (BA) e Aracaju eles paravam os caminhões simulando problemas mecânicos para furtar as cargas. Para realizar os furtos, os motoristas contavam com o apoio de Gilberto, que era encarregado de violar o lacre dos caminhões e separar as mercadorias de interesse da quadrilha.
Segundo o MPF, Gilberto tinha informações sobre o tipo de lacre, o trajeto do caminhão e a natureza das encomendas por ter sido motorista da empresa Transpanorama. Nas investigações, o ex-motorista foi identificado como mentor do esquema. Depois de separadas, as mercadorias eram transferidas para um veículo de passeio e então distribuídas para lojas de propriedade do grupo, principalmente em Estância (Sul). José Robinson e Adriana eram os responsáveis pela revenda dos produtos, conforme a acusação da PF.


