Gabriel Damásio
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A Polícia Federal inves-tiga quadrilhas de agi-otas colombianos que agem em Aracaju, emprestando dinheiros a juros muito acima do valor de mercado, equivalentes a até 300% ao ano. Na manhã de ontem, equipes do órgão deflagraram a "Operação Banco da Colômbia" e fizeram buscas em apartamentos de cinco condomínios da zona sul de Aracaju. O objetivo foi cumprir quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão, expedidos pela Comarca de Nossa Senhora do Socorro. O grupo emprestava dinheiro a pequenos comerciantes, fazendo cobranças diárias e ameaças de roubo e depredação aos que não pagavam suas dívidas.
Os quatro colombianos foram investigados pela PF durante três meses, a partir de escutas telefônicas feitas em outra investigação. Apenas um dos acusados foi preso até o fechamento desta edição: Jhon Edinson Galvis Salazar, o "Pablo", que estava no condomínio Barramares, na Farolândia. Segundo a PF, ele estava em um apartamento alugado com outro colombiano que trabalhava com ele, mas foi liberado porque não tinha prisão decretada e nem estava em situação de flagrante. Outros três colombianos acusados: Ricardo Castaño Mejía, Ferney Jhohany Ríos Gallego, o "Júlio", e Richard Andres Correa Rubino, o "Leonardo", apontado como chefe da quadrilha. Todos, no entanto, não foram encontrados e são considerados foragidos.
De acordo com o delegado federal Márcio Alberto Gomes, que coordenou as investigações, as buscas pelos outros suspeitos aconteceram em endereços que foram monitorados pelos investigadores, nos bairros Atalaia e Coroa do Meio, mas os acusados têm a tática de mudar constantemente de endereço, para não serem localizados. "Eles, sabendo da sua situação irregular a respeito do que fazem, eles terminam mudando de endereço e partido pra outros lugares de Aracaju", disse o delegado, informando que todas as polícias estaduais e os setores de controle de imigração e fronteiras da PF foram avisados sobre a possível fuga dos foragidos.
Nos mesmos apartamentos, a polícia apreendeu documentos, cadernos, agendas, cadernetas e boletos de cobrança, cartões de visita, panfletos, e computadores com o registro dos negócios da quadrilha. "Pablo", por sua vez, foi flagrado com telefones celulares, documentos, uma motocicleta e mais de R$ 7 mil em dinheiro. Salazar agia por conta própria e, segundo a polícia, se preparava para tentar novos clientes no comércio. "Ele confessou de forma tranquila que está no Brasil apenas para negociar empréstimos a juros extorsivos, não apresentou nenhuma outra fonte de renda ou ocupação lícita, e encontramos na casa dele outro colombiano que também que trabalhava com ele na cobrança e no controle de quem pagava e quem devia", explicou.
Como funcionava – A maior parte dos empréstimos investigados foi dada pelo grupo que tinha Castaño e Gallego/"Júlio" como cobradores do chefe Richard/"Leonardo". Geralmente, eles buscavam pequenos comerciantes de vários bairros de Aracaju, oferecendo empréstimos rápidos de quantias entre R$ 1 mil e R$ 5 mil.
"A pessoa precisava ter um pequeno negócio e essa era uma exigência dos colombianos, que faziam uma triagem. Esses empréstimos eram feitos em média a uma taxa de juros de 20% em 20 dias. Os pagamentos eram diários e a pessoa tinha que, todos os dias ou semanalmente, pagar a eles valores pequenos. Se somados, esses valores somam a taxa de 20% de acréscimo sobre o valor emprestado", explicou Alberto. Um exemplo: se uma pessoa tomasse R$ 1 mil emprestados, eles cobravam pagamentos diários de R$ 60, que deveriam ser feitos dentro de 20 dias, perfazendo uma soma de R$ 200 em juros.
As cobranças dos acusados aos que não pagavam as parcelas sempre eram acompanhadas de ameaças graves. "Existia a ameaça de levar produtos de lojas, depredar o patrimônio do comerciante… Tivemos notícias de que teve lojas com vidros quebrados e produtos levados", disse o delegado, afirmando ainda que o total de vítimas dos agiotas ainda não foi contabilizado, mas pode ser "muito grande". "Não podemos mensurar quantas exatamente, porque esses cartões eram repassados indistintamente no centro da cidade e cartazes eram colados na rua, e as pessoas eram atraídas por essa promessa de crédito fácil, sem comprovação ou burocracia. Tinha lojas de toda a Grande Aracaju fazendo a solicitação [de empréstimo] e sendo ‘cliente’ deles", completou.
Salazar, Castaño, Gallego e Richard serão indiciados pelos crimes de agiotagem, extorsão, associação criminosa (formação de quadrilha) e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, eles moram em Sergipe há mais de um ano e estão em situação legal no Brasil, com visto temporário de permanência. Após responderem ao processo judicial, os acusados podem ser expulsos do país e deportados para a Colômbia.


