Aluno baleado em escola é liberado do hospital

Gabriel Damásio

 

O estudante Lucivânio Batista Santos, 18 anos, que levou um tiro na cabeça durante um assalto ocorrido nesta segunda-feira na Escola Municipal Zarria Gabriel Jasmim, em Estância (Sul), foi liberado do Hospital Regional Jessé Fontes ao final da noite e descansa em sua residência. Segundo a avaliação dos médicos, ele passa bem, está consciente e não sofreu danos no cérebro ou em qualquer veia da cabeça, mas o disparo da arma do assaltante transpassou um dos lados do crânio. A informação foi confirmada ontem pelo diretor da unidade, Jocélio dos Santos, ao relatar que uma sonda chegou a ser implantada pelos médicos no local do ferimento para drenar o sangramento. Anteriormente, havia se divulgado que o aluno tinha sido ferido de raspão.

Lucivânio deu algumas entrevistas na manhã de ontem para relatar o episódio. Ele contou que estava na sala com alguns colegas, estudando para duas provas que aconteceriam naquele dia. Um dos bandidos que invadiram o colégio entrou em seguida e anunciou o assalto aos gritos, mas, a princípio, o aluno pensou se tratar de uma brincadeira e continuou a mexer no celular. O bandido tomava os pertences do professor, quando se irritou com a postura de Lucivânio e o agrediu com duas coronhadas de revólver na cabeça. Enquanto batia, o marginal gritou para a vítima: “Cê tá pensando que eu tô brincando, seu vagabundo?”.

Lucivânio, ainda tonto, começou a caminhar na direção do professor. Foi neste momento em que o assaltante foi até a porta e disparou um tiro na direção do estudante, atingindo-lhe a cabeça. E mesmo assim, segundo o relato, os ladrões continuavam pegando os pertences dos alunos. “Quando ele disparou, eu já caí de joelhos. Não desmaiei, fiquei consciente, me mantive de joelhos e comecei a clamar por Jesus, a ministrar [uma oração]. Deu pra ver eles [os alunos e professores] passando jóias, relógios, bolsas, tudo eles tiveram que passar [para os bandidos] com o tiro que ele disparou. E foi uma gritaria, todo mundo em desespero, com pavor”, contou o próprio estudante.

Com o tumulto que se formou dentro da escola, o atirador fugiu com o comparsa, que recolhia dinheiro, celulares e computadores da cantina e da sala da secretaria, onde o diretor também foi assaltado. Mesmo sangrando pela cabeça, Lucivânio manteve-se o tempo todo de joelhos, até ser socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Hospital. A Polícia Militar e a Guarda Municipal de Estância chegaram poucos minutos depois, logo após a fuga dos criminosos, e conseguiram encontrar a moto Fun 125 de cor vermelha usada pela dupla e abandonada no povoado Dizilena.

O diretor confirmou que a escola Zarria Jasmim ainda não possui câmeras de monitoramento, as quais ainda estavam em processo de instalação por parte da Guarda Municipal, que visitou a escola três semanas antes do crime para realizar o episódio. Jocélio atribui o episódio a uma ‘fatalidade’. “Independente de termos guarda ou não na portaria, ou de o portão estar fechado ou não naquele momento, isso iria acontecer, porque a gente está à mercê desses bandidos, e quando a coisa tem que acontecer, acontece de qualquer jeito. Deixo claro que a culpa não é da diretoria, nem de prefeito, nem de secretário, nem de portão aberto. Se bancos são roubados com o máximo de segurança, imagine uma escola, que é mais vulnerável”, lamentou.

Policiais da Delegacia Regional de Estância já ouviram quatro testemunhas na manhã de ontem e pretendem ouvir outras, principalmente Lucivânio e os alunos que estavam com ele na sala. A primeira suspeita é de que os criminosos seriam adolescentes e já estariam envolvidos em outros assaltos à mão armada ocorridos em povoados e bairros da periferia da cidade. Qualquer informação sobre o assalto pode ser repassada ao Disque Denúncia, através do telefone 181 ou do aplicativo Disque Denúncia SE. Os canais de comunicação são gratuitos e o informante não precisa se identificar. 

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