Ambulância do Samu é atacada em Laranjeiras

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi apedrejada no último domingo por moradores do Povoado Mussuca, em Laranjeiras (Vale do Cotinguiba). Conforme relatos de testemunhas, a depredação ocorreu após a equipe de resgate ter sido acionada para atender uma ocorrência e possivelmente ‘demorado’ a chegar ao local indicado. A ação promovida por vândalos foi registrada ao início da tarde, quando um acidente envolvendo um carro e um ciclomotor deixou uma vítima com graves fraturas pelo corpo, principalmente na cabeça. Ao chegar ao local, já em meio à fúria dos moradores, a equipe médica constatou o óbito e acionou o Instituto Médico Legal (IML).

Enquanto um dos médicos ainda relatava o fato à base, por telefone, os demais socorristas foram surpreendidos pelos moradores, que atiraram pedras contra a unidade móvel de atendimento. A equipe agiu rápido e conseguiu fugir do ataque. Diante dos danos na lataria do veículo e no para-brisa, a ambulância deve ficar parada por aproximadamente 15 dias.
Na manhã de ontem, a Superintendência do Samu/Sergipe se manifestou quanto ao caso e lamentou a ação dos populares. Ela informou o reparo no veículo foi requisitado na manhã de ontem, mas a concessionária alegou falta do tipo de para-brisa no estoque. Enquanto a peça não é enviada de São Paulo para Sergipe, o veículo deve passar por um processo de reforma nas outras partes danificadas pelas pedradas.
Também lamentando a ocorrência, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), informou que o tempo registrado entre o primeiro chamado e chegada ao local da ocorrência foi de apenas 20 minutos. Para a porta-voz da secretaria, Dânia Matos, esta é a segunda vez que alguns moradores da Mussuca promovem um ato de vandalismo. O último fato ocorreu em 2012, quando a base do Samu no município foi danificada. "Infelizmente essa não é a primeira vez que registramos um ato lamentável como esse. O que podemos garantir é que a ambulância chegou dentro do horário previsto após o primeiro chamado e a equipe estava disposta a socorrer a vítima e tentar salvar a vida do rapaz. Infelizmente quando a ambulância de UTI móvel chegou ao local o obtido foi constatado", declarou Dânia.

Conforme relato do Instituto Médico-Legal (IML), o paciente, cujo nome não foi revelado, transitava pela via pública sem capacete e demais itens de segurança, quando acabou colidindo com um carro de passeio. Até a chegada da ambulância, os moradores garantem que os sinais vitais eram identificáveis, mas a vítima já falava com dificuldades. "Quando eu ouvi o barulho de batida corri pra lá e algumas pessoas começaram a chegar pra ver o que tinha acontecido. Foi tudo muito rápido. Quando cheguei vi que tinha uma pessoa falando com ele pra tentar animar, mas ele já estava fraco. Quando o quebra-quebra começou, eu saí pra não sobrar pra mim", afirmou o agricultor José Passos dos Santos.

A depredação ocorreu uma semana após o Sindicato dos Condutores de Ambulâncias do Samu (Sindiconam) ter denunciado uma série de irregularidades estruturais e administrativas na repartição. Em entrevista ao JORNAL DO DIA, o presidente do sindicato, Adílson Ferreira, informou que, ao longo dos últimos anos, a população tem ameaçado as equipes de resgate, além de danificar as ambulâncias. "Infelizmente. os problemas estruturais do Samu têm prejudicado o trabalho dos profissionais e até ameaçado a integridade física destes servidores que soam muito a farda que vestem para salvar a vida de outras pessoas. Na contra mão da realidade. muitas pessoas não sabem separar o caos no SUS e o trabalho desenvolvido com bravura pela equipe do Samu", destacou.

Proposta abortada – No final da tarde de ontem, o gerente de Regulação do Samu, Silas Santana, informou que uma reunião com a secretária da Saúde, Joélia Silva Santos, está agendada para a próxima terça-feira. Entre as pautas a serem discutidas, estaria a possível reativação da base do Samu no município de Laranjeiras, mas, após a depredação do último domingo, o processo será arquivado. "Nós ficamos tristes por dois motivos. O primeiro porque as pessoas que danificaram a ambulância sequer pararam para avaliar a situação. O motoqueiro estava sem capacete, e possivelmente havia consumido bebida alcoólica. Segundo porque a pancada foi muito grande e mesmo que a ambulância estivesse ao lado dele, possivelmente ele não iria sair com vida", disse o gerente.
Silas lembrou ainda que, em 2012, outra equipe do Samu ficou acuada na base do município e a Polícia Militar foi chamada para evitar agressões contra os profissionais. "Por isso que fechamos a unidade e ela deve continuar assim devido a recorrência dos atos de vandalismo", resume o gerente.

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